sábado, 1 de Novembro de 2014

A ameaça de boicote paira sobre Austin

O rumor veio forte, vindo da Twittersfera. Aparentemente, Lotus, Sauber e Force India ameaçaram boicotar a corrida de domingo caso as suas vozes fossem realmente ouvidas no agora famoso "Grupo de Estratégia". Todas estas equipas vieram logo desmentir o boato, vindo principalmente dos jornais ingleses, mas parece que a ideia ficou no ar: com a Marussia e a Caterham ausentes de Austin, com a grelha reduzida a 18 carros, algumas das equipas do meio do pelotão começaram a "bater o pé" para dizer que ou se mudam as coisas - nomeadamente os pagamentos que a FOM dá às equipas, por exemplo - ou iriam fazer algo que espantaria o mundo.

E o sitio onde iriam fazer não é virgem. Não, não é Austin, mas sim Indianápolis, onde nove anos antes, apenas seis carros alinharam na corrida, depois de que as equipas que tinham pneus Michelin decidiram não alinhar na corrida devido às suas preocupações com os seus pneus na oval americana, depois do forte acidente de Ralf Schumacher durante os treinos livres de sexta-feira.

Ver algo parecido nove anos depois seria algo para envergonhar de novo a Formula 1, precisamente no mercado onde querem conquistar o público. Ou se preferirem, onde Bernie Ecclestone adoraria colocar metade do campeonato, se pudesse.

Entre os que não acreditam nisto e os que secretamente adorariam ver o circo a arder, francamente estou no lado das bancadas, esperando para ver o que vai acontecer. Espero sempre o inesperado, e a acontecer, seria mais um episódio dos tempos conturbados que esta Formula 1 vive. E provavelmente, cada vez mais, vejo que a FIA poderá ter de intrevir, para tomar conta deste desporto. Eles podem, se quiserem. E tenho a sensação de que Jean Todt está a ver comigo, na bancada, esperando pelo momento em que o incêndio alcance o seu auge. Para depois pegar nas cinzas e fazer as coisas à sua maneira. Pode não ser em Austin, Interlagos ou Abu Dhabi, mas vai acontecer. É inevitável.

E a solução do terceiro carro apenas poderá adiar o fim, digo eu.

sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

Greg Moore, quinze anos depois

Ainda me lembro bem o que fiz naquele domingo, naquela noite de Halloween. Até me espanto a razão pelo qual consegui sair de casa, mesmo depois de ter visto o acidente na frente dos meus olhos, na televisão, cortesia da Eurosport, que transmitia as corridas da CART naquela altura.

Aqueles tinham sido tempos dificeis. Sete semanas antes, em Laguna Seca, o uruguaio Gonzalo Rodriguez tinha acabado a sua vida quando o seu Penske perdeu o controlo na entrada da Curva do Saca Rolhas, acabando com todo o peso do carro em cima da sua cabeça, matando-o.

Greg Moore e "Goncho" Rodriguez por acaso tinham a mesma idade, mas o canadiano de Vancouver já tinha experiência de quatro temporadas na competição. Tinha dominado na Formula Indy Lights (curiosamente, a corrida da sua terra foi ganha por... Pedro Matos Chaves) e na CART, ao serviço da Forsythe, ganhou cinco corridas em quatro temporadas. Não foi suficiente para ser candidato ao título, mas os seus dotes de condução foram mais do que suficientes para atrair a atenção da Penske, que o contratou para a temporada de 2000. Quando morreu, o lugar ficou para Hélio Castro Neves... que continua na equipa até hoje.

Não vou dizer o que poderia ter feito caso tivesse vivido para além daquele dia, mas creio que vendo o que Castro Neves fez na Penske nestes últimos 15 anos, creio que teria sido um dos maiores do automobilismo do nosso tempo. Teria sido mais um canadiano a vencer as 500 Milhas e provavelmente teria ganho campeonatos com a marca do Roger Penske. Não sei se estaria a competir ainda hoje, mas provavelmente tal aconteceria.

Toda a gente se lembra do numero que tinha no carro (uma homenagem ao seu ídolo no hóquei em gelo, o seu compatriota Wayne Gretzky), e sempre achei irónico que fosse o último antes de chegar ao cem, e ter acabado por ser o último ano da sua vida. Eu, que vi tudo naquele dia de outubro, fico sempre com a sensação de que poderia ter sido um dos grandes. E não precisava de ter ido à Formula 1 para mostrar isso. Digo eu.

Para finalizar, leiam o que o Ico escreve sobre o Greg Moore. É fascinante. 

Pensamentos em altura de convalescença

Fui operado há quatro dias, para tirar mais uma parte do meu corpo. Depois de umas amígdalas, um apêndice e cerca de 30 centímetros de intestino delgado, foi a vez de despedir de vez da minha vesícula. Todos desaparecidos, fazendo parte da matéria incendiária de um forno qualquer, feito para fazer desparecer resíduos hospitalares de um dia para o outro. Aos poucos, desfaço-me de mim mesmo para poder ganhar mais algum tempo da vida.

Acho engraçado que isto acontece numa altura em que a Formula 1 passa por um processo semelhante. Desde 2005 que o numero de carros na grelha não é tão baixo. As coisas estão assim tão complicadas que até esta sexta-feira de manhã, quando liguei a televisão, vi que era matéria de abertura na CNN, pois isto acontece no fim de semana do GP dos Estados Unidos, em Austin. Não é nada que não saibamos, quem lê e ouve os rumores sabia que isto iria acontecer, mais cedo ou mais tarde. E sabemos das razões, escuso de as dizer porque já escrevi sobre elas ao longo deste tempo todo. Basta fazer uma simples pesquisa e irão ler isso, mas posso colocar aqui uma das minhas crónicas sobre a tal crise que coloca a Formula 1 entre a espada e a parede.

Também acho que estas novidades deveriam ser um motivo para reflexão sobre o futuro. Sobre a distribuição dos dinheiros, sobre quem deveria receber o quê, sobre se deveria haver um limite a quanto gastar e como gastar (uma equipa gasta em média 94 milhões de euros por temporada!) e se querem abrir a todos ou transformar numa coutada elitista que terá uma tendência autofágica para gastarem cada vez mais e pior, até que um dia, a bolha expluda e todos saiam a perder. Cada vez mais me convenço que a história dos três carros por equipa é só uma maneira de tapar um remendo para o futuro próximo, e não é uma garantia de sobrevivência. Quanto muito, irá tirar às equipas do meio a possibilidade de pontuarem mais vezes, como fazem a Force Índia e a Williams agora. E se tal acontecer, vai reduzir as nove equipas para oito ou até seis. E quando tivermos seis equipas com três carros cada um, a solução será implantar mais carros até que o último fique e coloque em pista todos os carros necessários para a preencher a grelha? Se calhar, a ideia é essa.

(Contudo, ouvi esta semana que poderia haver dois irmãos indianos que poderiam comprar a Marussia. A ser verdade e a acontecer, poderia evitar o desaparecimento de uma equipa e haver a transformação que aconteceu com a Force India, depois de esta ter comprado a Spyker em 2007. Veremos.

Para finalizar, tenho de falar de Jules Bianchi. Há uns dias, falava com um amigo meu sobre se nós tínhamos esquecido dele. Eu respondi logo que não, e que nestas coisas, as noticias serão sempre escassas e a evolução é lenta e imprevisível. Acho que não é todos os dias que deveríamos falar sobre ele, porque vai haver uma altura em que não teremos mais nada para dizer. E também acho que se deveria evitar entrar numa tentadora "caça às bruxas", como normalmente acontece quando as coisas correm mal. De uma certa maneira, o acidente fez lembrar na necessidade de provavelmente, discutir a cobertura dos "cockpits" no sentido de proteger os pilotos deste tipo de acidentes. Contudo, ainda subsistem as duvidas para saber se esses cockpits aguentam impactos desse tipo e mais importante, descodificar a "quadratura do circulo": como fazer os carros suficientemente seguros, sem perder a visibilidade que eles têm agora?

Contudo, tenho de dizer isto: quatro semanas depois, não vejo sinais claros de recuperação. Parece que os piores receios estão a acontecer. E tão mau como a morte, é a incapacidade permanente. Temo que estejamos a assistir a uma morte ao retratador.

A foto do dia

Ver a nova barba do Daniel Ricciardo é como assistir a uma excentricidade. Ou pensar que é o filho do Lemmy, dos Motorhead...

Vamos a ver se dá sorte neste fim de semana.

quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

Formula 1 em Cartoons - Pré-Austin (Cire Box)

À chegada a Austin, os "cowboys" da Mercedes estão a ver os sinais de fumo, e cada um têm a sua interpretação delas...

segunda-feira, 27 de Outubro de 2014

Youtube Rally Crash: o acidente de Bernardo Sousa na Catalunha

Bernardo Sousa era um dos candidatos à vitória no WRC2 na Catalunha, e provavelmente poderia tentar uma chance de conseguir um lugar no "top ten" neste rali. Mas as coisas acabaram logo no primeiro dia graças a um acidente. 

Eis as imagens, onde poderão ver a capota toda amolgada na parte de trás do seu Ford, e as estragos na roda frente-direita. Logicamente, ele não continuou.

domingo, 26 de Outubro de 2014

Pequeno aviso para a blogosfera

Caros amigos (as), seguidores (as) e admiradores (as): a partir de amanhã estarei ausente daqui porque vou ser operado para tirar a minha vesícula. À partida será algo simples e espero estar de volta dentro de um ou dois dias. Mas conhecendo como conheço de mim mesmo e da minha história clinica, nunca é de fiar.

É algo que estava à espera, desde que fui internado no passado mês de março. Quando me ligaram na quinta-feira perguntando sobre a vaga que apareceu e se não queria aproveitar, eu nem hesitei. A minha vesícula tinha-se tornado num incomodo, apesar de não ter tido problemas graves nestes últimos tempos. Mas tinha dias em que acordava com dores, que passavam por me sentar na cama por uns minutos, e depois passava.

Espero estar de volta a tempo de ver o GP dos Estados Unidos, em Austin e ver como é que a Formula 1 reagirá a 18 carros na grelha de partida. Mas pelo que ando a ler nas últimas horas, pode ser que o Bernie Ecclestone puxe algo da cartola...

A ver, vamos. Até breve!  

WRC 2014 - Rali da Catalunha (Final)

Sebastien Ogier controlou tudo e no final, comemorou o seu bicampeonato no lugar mais alto do pódio no Rali da Catalunha. O piloto francês conseguiu aguentar os ataques de Jari-Matti Latvala e acabou com 11,3 segundos de vantagem, sagrando-se assim bicampeão do mundo, e dando o segundo título de pilotos para a Volkswagen.

Mikko Hirvonen acabou o rali com o lugar mais baixo do pódio, a 1 minuto e 42 segundos do vencedor, algo que acontece apenas pela segunda vez este ano: “Há muito tempo que não alcançava um pódio, finalmente um bom resultado. É bom para toda a equipa. Vamos ver o que fazemos em Gales...”, comentou o piloto finlandês.

Mads Ostberg foi o quarto, ficando com o melhor resultado dos Citroen, conseguindo segurar os ataques de Dani Sordo. No final, apenas 8,9 segundos é que seguraram ambos os pilotos, enquanto que atrás, Thiery Neuville conseguiu o sexto posto final na última classificativa depois de novo erro cometido por Anders Mikkelsen, provocado pelo seu navegador, Ola Floene. A dupla do terceiro Volkswagen teve de cumprir uma penalização de dez segundos.

O checo Martin Prokop foi o oitavo, na frente do terceiro Hyundai de Haydon Paddon e do melhor dos WRC2, o qatari Nasser Al Attiyah.

Agora, o WRC vai dentro de três semanas ao País de Gales para cumprir o último rali da temporada.

Youtube Motorsport Fire: um prótótipo incendiado na Rampa da Penha


Isto aconteceu este sábado, na Rampa da Penha, em Guimarães, no norte do país. Um carro pega fogo e um membro da organização têm um extintor que... não funciona. E o pior é que nem é um extintor que não funciona, são dois. E o carro arde, lentamente, à frente de toda a gente. A felicidade no meio disto tudo é que não foi num acidente e o piloto pode sair calmamente, mas ver algo que custou muito dinheiro, a desaparecer envolvido pelas chamas, custa muito.

O incêndio só é extinto quando chegam os bombeiros. Mas imaginem que tinha sido um acidente e o piloto tivesse ficado preso. 

sábado, 25 de Outubro de 2014

WRC 2014 - Rali da Catalunha (Dia 2)

Apesar dos ataques de Jari-Matti Latvala, Sebastien Ogier continua a manter-se na frente com um avanço de 27,3 segundos e parece que o bicampeonato está ao seu alcance. Ambos parece que andam num campeonato à parte, pois abriram uma vantagem que vai até ao 1.18 minutos sobre o Ford de Mikko Hirvonen, o terceiro classificado.

Apesar dos elogios de Ogier a Latvala, afirmou que as coisas estão controladas e a vitória não escapará. “Em primeiro lugar, tenho que congratular o Jari-Matti (Latvala). Ele teve realmente um grande dia, atacando sempre. Para nós, o plano era controlar e foi o que fizemos embora tenha andado rápido para me manter no ritmo dele”, disse no final da etapa. 

Já para o piloto finlandês, parece estar resignado quanto a uma possível vitória e, consequentemente, está consciente que o título é cada vez mais uma ilusão: “Fiquei satisfeito com a nossa performance e foi um bom dia. Estou desapontado com o nosso andamento de ontem... Queria lutar pela vitória neste rali mas parece-me que começa a estar demasiado longe. Acho que ontem estava a guiar e a travar de modo demasiado agressivo”, falou.

Ao longo do dia, Latvala tudo tentou para apanhar Ogier, mas apesar de ter diminuído a vantagem, não conseguiu apanhar o líder, enquanto que atrás, o terceiro lugar ficou nas mãos de Hirvonen, depois de aproveitar os azares de Anders Mikkelsen, que sofreu um pião e atrasou-se, caindo para o sétimo lugar no final do dia. Mads Ostberg também andou na luta, e acabou o dia no quarto posto, mas a mais de 30 segundos de Hirvonen, e com 22,1 segundos de vantagem sobre Dani Dordo, o melhor dos Hyundai.

Quem teve problemas foi Robert Kubica, que sofreu um o diferencial, caindo do sexto para o nono posto, antes de desistir na parte da tarde. Isso beneficiou Thierry Neuville, que terminou o dia no sexto posto, na frente de Mikkelsen. Martin Prokop e Haydon Paddon estão tranquilamente no oitavo e nono postos, enquanto que o décimo lugar está em aberto, pois a diferença entre o ucraniano Yuri Protassov, o qatari Nasser al Attiyah e o americano Ken Block está em meros 21 segundos.

O rali da Catalunha termina amanhã.

A Formula 1 no seu grau zero

Bom, a levar pelas palavras de Bernie Ecclestone, a Formula 1 chegou hoje a um novo baixo: A Marussia pode não alinhar em Austin e Interlagos devido às dificuldades financeiras que ambas passam. Da Caterham sabíamos, devido às lutas entre ambos os proprietários pela sua posse, mas da Marussia, depois dos eventos em Suzuka relacionados com Jules Bianchi, pouco ou nada se sabia, apesar dos rumores vindos de lá devido à falta de vontade de Andrey Cheglakov de injetar mais dinheiro, apesar de este ano terem conquistado dois pontos, com o nono lugar de Jules Bianchi no GP do Mónaco. E esse dinheiro daria - em teoria - 35 milhões de euros para segurar a equipa para a próxima temporada.

Falta ainda a confirmação oficial da Marussia - e vamos ser honestos, não confio em Bernie Ecclestone - mas como é ele que organiza os transportes dos carros para Austin (que terão de ser embarcados até este domingo), provavelmente eles deverão ter pedido uma dispensa semelhante a que a Caterham pediu ontem. A permissão de Ecclestone faria com que não pagassem multas, com a condição de estarem presentes na ronda final, em Abu Dhabi. Mas também não cremos que a Caterham volte, embora tenha esperanças em relação a Marussia.

Será que esta Formula 1 falhou? Bom, se a ideia era de levar mais gente, sim, é um fracasso. Mas se a ideia era de os expulsar para termos uma "elite das elites", onde o bolo é dividido pelo menor número possível, então aí é um enorme sucesso. Só falta a implementação dos terceiros carros para que a cereja fique no topo do bolo.

Mas fala-se há muito de que os contratos entre a FOM e os promotores dos circuitos e em consequência, das cadeias de televisão, têm clausulas que falam que terá de haver um numero minimo de carros a alinhar em cada corrida. E esse minimo é de vinte. Como haverão apenas 18 carros, chega-se a um numero negativo, do qual os promotores poderão rasgar o contrato. Mas Bernie deve ter dito aos promotores que esta situação é provisória. E bem vistas as coisas, não vai ser por aí que existirá razões para que o outro lado accione essa clausula. O problema será mais para 2015.

Mas aí, há a tal solução dos três carros por equipa. Algumas delas afirmam que precisam de tempo para tal coisa (uns falam de três meses, outros falam de seis) mas a implementação de tal coisa não é barata (fala-se de 35 milhões de euros por ano) e fala-se também que esse carro poderá não contar para os pontos. E se é para isso, então não vale a pena colocar esses carros em pista. E não se pode esquecer que isso poderá significar um aumento brutal das diferenças entre as equipas da frente e o meio do pelotão, para não falar do fundo. Em suma, a médio prazo, poderá significar uma "canibalização", pois as equipas médias poderão chegar à conclusão que que andar por ali só acumulará perdas. Nunca a expressão "Club Piraña" teve tanto sentido.

E acho irónico que isto aconteça a poucos dias do 84ª aniversário natalicio de Bernie Ecclestone. O que me deixa a pensar se isto não será um sinal que está a mandar ao mundo que "depois de mim, a Formula 1 falirá". Não sei responder, mas pelos vistos, parece que já bateram no icebergue e acham que salvar a primeira classe está nas suas prioridades...

Enfim, a ser verdade, é um grande dia para o Grupo de Estrategia. E provavelmente mais um passo rumo ao abismo. Mas se calhar esta Formula 1 merece esse abismo para que caiam alguns tabus, como, por exemplo, este excessivo secretismo que existe nos seus contratos e respectivas clausulas.

Mas é melhor esperar pelos próximos dias, para saber o que irão dizer, que surpresas não aparecerão por aí.

A foto do dia

Indianápolis, 2005. A largada do GP dos Estados Unidos desse ano, com apenas seis carros presentes. após o boicote dos pilotos que calçavam Michelin, após um forte acidente sofrido por Ralf Schumacher durante a qualificação, devido ao rebentamento de um pneu. A ameaça de boicote concretizou-se, e apenas seis carros alinharam na corrida, todos eles com pneus Bridgestone: Ferrari, Jordan e Minardi.

De uma certa maneira, foi a Formula 1 no seu Grau Zero, e isso teve consequências: a partir do final de 2006, houve um monopólio no fornecedor de pneus, como se fosse um contrato. Primeiro foi a Bridgestone, depois a Pirelli. Para Michael Schumacher foi a sua única vitória do ano, e para Tiago Monteiro, foi o seu único pódio da sua carreira, e o último da Jordan.

Eu vi partes da corrida, apesar de estar em viagem naquele dia para umas curtas - mas merecidas - férias. E vi os protestos e os apupos da multidão em fúria, que pagaram caro para assistir a um triste espetáculo, ainda por cima num sitio onde Bernie Ecclestone tenta há anos implementa a Formula 1, sem grandes resultados. 

Estamos a um semana de outro GP americano, em Austin, e agora soube-se que teremos 18 carros presentes. Um dos números mais baixos desde o final dos anos 60, quando tivemos corridas disputadas por 14 carros em 1969, por exemplo. Primeiro a Caterham, agora a Marussia, decidiram pedir dispensa de irem a Austine e a Interlagos, prometendo ir para Abu Dhabi, a última corrida do ano. Não sei se isto é o caminho para o Grau Zero, mas cada vez se vê que esta Formula 1 começa a ser insustentável. E a solução apresentada - três carros por equipa - têm mais desvantagens do que vantagens. 

Vamos a ver no que vão decidir. Ainda temos de ouvir o que a FIA pensa disto.

sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Youtube Atmosferic Challenge: o homem que bateu Felix Baumgartner

Até hoje, pouca gente fora do mundo dos negócios ou da tecnologia tinha ouvido falar de Alan Eustace. Engenheiro informático de profissão, de 57 anos de idade, este executivo da companhia que faz os motores de busca que nos ajudam todos os dias, decidiu ir de balão até ao topo do mundo. Literalmente, aos limites da atmosfera. E pelo meio, bateu a barreira do som e bateu o recorde de salto que pertencia a Felix Baumgartner.

E fez de uma maneira bem mais leve do que a tentativa patrocinada pela Red Bull: dispensou a câmara, colocou um fato pressurizado, amarrou-se a um balão enchido com 35.000 metros cúbicos de hélio e após duas horas de ascensão ele soltou-se, a uma altura de 41,5 quilómetros caindo a uma velocidade estratosférica durante 15 minutos até alcançar o solo, abrindo o paraquedas e aterrando em segurança.

Tudo foi preparado durante três anos, e debaixo de muito secretismo. E aparentemente resultou, porque todos foram apanhados de surpresa. "Foi incrível", disse ele, em declarações para o New York Times. "Foi lindo. Você podia ver a escuridão do espaço e você pode ver as camadas da atmosfera, o que eu nunca tinha visto antes."

E de facto, foi um feito espantoso.

WRC 2014 - Rali da Catalunha (Dia 1)

O primeiro dia do Rali da Catalunha viu os Volkswagen a ocupar os lugares do costume, depois dos fogachos da Hyundai, e especialmente do Citroen de Kris Meeke, que andou na frente nas primeiras três classificativas, antes de abandonar com problemas no seu carro.

Depois de Anders Mikkelsen ter sido o melhor na classificativa de abertura, realizada em pleno Parc Montjuich, em Barcelona, máquinas e pilotos partiram para a estrada com Mikkelsen a defender-se das investidas do Hyundai de Thierry Neuville e do Citroen de Kris Meeke. Mikkelsen chegou a ficar sem gasolina entre o final da segunda classificativa e o Parque de Assistência, mas foi na estrada que perdeu a liderança para o belga da Hyundai.

No final da terceira especial, já havia novidades interessantes, como o atraso de Meeke devido a dois furos, e de Jari-Matti Latvala, que demorava a adaptar-se às classificativas catalãs, em claro contraste com Haydon Paddon, que por essa altura era o terceiro classificado, atrás de Neuville e Ogier. Mikkelsen tinha então caido para o quarto lugar.

Atrás, no WRC2, havia a primeira baixa, com Bernardo Sousa a capotar na segunda especial, obrigando-o a desistir. Nessa altura, era o segundo classificado na classe.

Na parte da tarde, Ogier esforçou-se e passou para a frente do rali, aproveitando a desistência de Meeke e o atraso de Neuville, que na sétima classificativa, devido ao pó levantado, bateu numa rocha e furou. O incidente fez com que o piloto belga caísse de segundo para o nono lugar da geral, enquanto que Jari-Matti Latvala fez o percurso inverso, passando de sétimo, no final da manhã, para o segundo lugar da geral, a 36,6 segundos de Ogier.

Sem Meeke, o melhor Citroen é agora o de Mads Ostberg, no terceiro lugar, a 37,2 segundos de Ogier (e a 0,6 segundos de Latvala) e têm logo atrás de si o terceiro Volkswagen de Anders Mikkelsen, a apenas 0,1 segundos do seu compatriota! Mikko Hirvonen é quinto e o melhor dos Ford, enquanto que a 57 segundos da liderança está o outro Ford de Robert Kubica, que está a conseguir andar ao nível dos primeiros.

Dani Sordo é o sétimo e agora o melhor dos Hyundai, a um minuto e 24 segundos, na frente do Ford de Martin Prokop, do outro Hyundai de Thierry Neuville e do Ford de Nasser Al Attiyah, o melhor no WRC2, a quatro minutos e 50 segundos, oito a menos do que o 11º classificado, o americano Ken Block.

O Rali da Catalunha prossegue amanhã.

Youtube Auto Destruction: Uma cópia "made in China"

Descobri esta no Flatout! brasileiro: um jornalista alemão da Auto Bild, Wolfgang Blaube, adquiriu um SCEO chinês de 2008 (o S é de Schanguan Motors) com cerca de cem mil quilómetros rodados... e ficou chocado com que viu. Em poucos anos de uso, a pobre qualidade do carro fez com que este estivesse mais enferrujado do que carros com vinte e mais anos de uso, tornando-se não só num monte inutil de sucata, como um carro perigoso de conduzir para quem tivesse azar de o pegar.

Como esta cópia descarada de um BMW X5 da primeira geração era um perigo para todos - e a BMW impediu que este carro fosse vendido na Alemanha devido à famosa questão do "copywright" - Blaube e os seus colaegas da Auto Bild acharam por bem que este carro tinha de ser retirado de circulação... de uma maneira "clarksoniana". 

Eis o resultado. O video está em alemão, mas acho que entenderão o gesto.