terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

WTCC: Alterado o calendário de 2016

O WTCC anunciou hoje a alteração do calendário da sua prova, mudando algumas datas e locais em relação ao inicialmente previsto. A pista de Sochi que acolhia a abertura do campeonato, foi excluída e substituída por Moscovo, e acontecerá no fim de semana de 12 de junho, fazendo com que a prova de Vila Real seja recolocada para quinze dias depois, a 26 de junho.

Assim sendo, a prova de abertura será agora a 3 de abril, no circuito francês de Paul Ricard, seguido pelas pistas da Eslováquia, a 17 de abril, e da Hungria, uma semana depois, antes de rumarem a Marrocos, a 8 de maio.

Eis o calendário revisto:

3 de Abril: Paul Ricard (França)
17 de Abril: Slovakiaring (Eslováquia)
24 de Abril: Hungaroring (Hungria)
8 de Maio: Marrakech (Marrocos)
29 de Maio: Nurburgring Nordschleife (Alemanha)
12 de Junho: Moscovo (Rússia)
26 de Junho: Vila Real (Portugal)
7 de Agosto: Termas de Rio Hondo (Argentina)
4 de Setembro: Suzuka (Japão)
25 de Setembro: Shanghai (China)
6 de Novembro: Buriram (Tailândia)
25 de Novembro: Losail (Qatar)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Formula E: Jaguar procura pilotos para a próxima temporada

Mais de dois meses após a sua apresentação, a Jaguar trabalha a todo o vapor para ter pronto o seu carro para a temporada 2016-17 da Formula E. Com a ajuda da Williams Advanced Engeneering, como parceiro técnico, eles pretendem assinar com um piloto de renome para a sua equipa. E segundo conta o site motorsport.com, as hipóteses estão reduzidas a três: o brasileiro Nelson Piquet Jr, atual campeão da categoria, o britânico Sam Bird, piloto da Virgin e vencedor na última corrida, em Buenos Aires e o português António Félix da Costa.

O piloto português está muito bem visto pelo pessoal da Williams Advanced Engeneering, pelo facto de ser um dos melhores pilotos a gerir os consumos do seu carro durante a corrida, a par de Piquet Jr, mas o piloto brasileiro tem um contrato com a NEXTEV para a próxima temporada, apesar de este não ser uma grande temporada para ele, pois tem apenas quatro pontos em quatro corridas. Bird está na mesma situação do que Piquet, pois está sob contrato da Virgin, que este ano é gerido pela Citroen, através da marca DS.

Contudo, fala-se que, caso a Jaguar deseje um britânico nas suas fileiras, poderá pensar em Adam Carrol ou Oliver Turvey, e mesmo o veterano Anthony Davidson poderá estar na calha para alinhar na equipa. 

Uma coisa é certa: independentemente de quem for o escolhido, a unidade de força tem de estar pronta até maio para poder ser aprovado pela FIA e começar a ser testado antes da nova temporada.

Noticias: Gribowsky vai ser libertado

Gerhard Gribowsky, o banqueiro alemão caído em desgraça por ter aceite subornos de Bernie Ecclestone por causa dos direitos televisivos, vai ser libertado no próximo mês em regime de liberdade condicional, anuncia James Allen no seu site. Gribowsky tinha sido condenado a oito anos e meio de prisão em 2012 por causa de corrupção e fraude fiscal. 

Gribowsky era o gerente do Bayern Landersbank em 2011 quando este faliu, e na auditoria que lhe foi feita, foram descobertos cerca de 50 milhões de euros numa das suas contas na Áustria, do qual ele nunca conseguiu explicar convincentemente a sua proveniência. Depois contou que tinham vindo de Bernie Ecclestone, que lhes tinha dado em 2005 e 2006, como fazendo parte da venda dos direitos da Formula 1 (que estavam à guarda do banco após a falência da Kirch Media em 2002) ao grupo de capital de risco CVC Capital Partners.

Ecclestone admitiu o suborno durante o julgamento de Gribowsky, e mais tarde, na primavera de 2014, ele foi levado a tribunal para ser julgado por causa desse suborno, mas chegou a acordo com a Procuradoria de Munique, onde pagou 100 milhões de dólares para que eles deixassem cair as acusações, apesar de ter sido considerado "nem inocente, nem culpado". 

A ameaça que pairava sobre o Rali da Suécia

O rali da Suécia, que vai acontecer no final desta semana em Karlstad, correu o risco de ser cancelado este domingo devido à falta de neve, que converteu algumas das classificativas em lama, em vez do habitual manto branco. Os organizadores tiveram este problema em mãos, mas decidiram que o rali iria seguir adiante, com alterações no seu percurso: oito das especiais foram retiradas do plano inicial.

Com temperaturas acima dos zero graus naquela zona da Suécia,  neve começou a derreter e com isso, boa parte do encanto que tem este rali. Atentos, a organização decidiu elaborar um plano de emergência, cortando as especiais na zona de Kirkaner, fazendo com que o rali se reduzisse dos 21 troços cronometrados para treze, prefazendo quase 90 quilómetros (dos 331,21 para os 241,48 quilómetros). Para preservar os troços o mais possivel, decidiu-se cancelar o rali Histórico.

Mas nem tudo são más noticias: as duas passagens pela especial de Vargasen, onde se situa o salto "Colin's Crest", foi salva e vai acontecer, com direito a transmissão televisiva.

Não tem sido um inverno rigoroso por aqueles lados: há algumas semanas, o rali Lieplaja, na Letónia, prova de abertura do campeonato europeu de ralis, foi cancelado por causa da falta de neve na zona. 

domingo, 7 de fevereiro de 2016

A imagem do dia (II)

Patty McLaren entre o seu marido, Bruce McLaren, e Jochen Rindt, durante o fim de semana do GP do Mónaco de 1968, numa foto tirada por Bernard Cahier. A viúva de Bruce, fundador da McLaren Automotive, em 1963, morreu ontem na Grã-Bretanha, vitima de cancro. Os "originais" vão se embora desta vida, pois isto acontece um mês após o desaparecimento de Tyler Alexander, aos 75 anos, também vitima de cancro.

Das mulheres e filhos de pilotos pouco se falam, pois as suas vidas privadas não são motivo de interesse dos historiadores e dos jornalistas especializados em automobilismo, especialmente nesses tempos em que a possibilidade de serem viúvas cedo era bem alta. E ela o foi, em junho de 1970, quando o seu marido teve o seu acidente mortal quando testava um carro da Can-Am, a poucas semanas do começo do campeonato, aos 32 anos de idade.

Mas sei que, pelos testemunhos dos que andaram juntos nessa aventura, que viveu as vitórias e sofreu com as derrotas, especialmente as mais profundas. Estava com ele quando Timmy Mayer teve o seu acidente mortal em Longford, na Austrália, em fevereiro de 1964, durante as Tasman Series. E claro, esteve com ele quando Bruce aventurou-se a construir automóveis com o seu nome e a ser vencedor na América e na Europa, na Can-Am e na Formula 1. E claro, ver o seu marido crescer e a ser feliz naquilo que mais gostava. E mesmo depois de ele desaparecer, ver o seu nome ser consolidado como vencedor no automobilismo e agora, ser uma marca de automóveis.

Sempre achei que, por muito que façamos, nunca seremos metade do que poderemos ser sem ter uma cara-metade por perto. Tenho a certeza que ela é responsável por metade desse génio, mas nunca reclamou a sua quota-parte. Ars lunga, vita brevis, Patty. 

As desventuras de uma rainha africana

A sul-africana Desiré Wilson, atualmente com 62 anos de idade, foi uma das cinco mulheres-piloto da história da Formula 1, com uma tentativa de se qualificar com um Williams FW07 da RAM Racing durante o GP da Grã-Bretanha de 1980, sem sucesso. Wilson teve uma proveta carreira em monolugares, desde a Endurance (duas participações nas 24 Horas de Le Mans) e três tentativas para se qualificar para as 500 Milhas de Indianápolis, também sem sucesso.

Contudo, Wilson andou pela Formula Aurora, a versão britânica do campeonato de Formula 1, que existiu entre 1979 e 1982, onde foi sexta classificada nos Tyrrell 008 da Melchester Racing, tendo como seu companheiro de equipa o americano Gordon Smiley, e isso lhe deu alguma experiência para tentar a sua sorte na categoria máxima do automobilismo. E isso aconteceu em 1981, quando aproveitou a guerra FISA-FOCA para alinhar numa corrida que acabou por não contar, o GP da África do Sul de 1981, pela Tyrrell. E até andou bem, chegando a rodar no sexto posto até bater e desistir, porque julgava que estava a ser apanhada por um “rookie” chamado… Nigel Mansell.

Nascida a 26 de novembro de 1953, em Brakpan, na África do Sul, começou a correr em monolugares em 1973, na Formula Super Vee sul-africana, sendo vice-campeã no ano seguinte. Em 1975, passa para a Formula Ford, onde vence o campeonato, repetindo o feito no ano a seguir. Em 1977 seguiu para a Europa, onde correu na Formula Ford 2000, sendo terceira classificada na série britânica e na série holandesa. Em 1978, deu o pulo para a Aurora AFX Formula One Championship, onde andou por três temporadas, altura em que tentou a sua sorte no GP da Grã-Bretanha de 1980, a bordo de um Williams FW07 da RAM Racing, sem contudo qualificar-se.

Por essa altura, o seu capacete já tinha a coroa que a fez distinguir-se entre os demais. E isso explicou por um bom motivo: "Eu realmente adorava [Ronnie] Peterson como piloto, de modo que pintei o capacete de azul e amarelo. Inicialmente, eu tinha uma simples faixa [como fez mais tarde Michele Alboreto], mas à medida que comecei a ser bem sucedida, alguém me disse: ‘você deveria fazer o seu capacete um pouco mais interessante’. Quando eu entrei na britânica Aurora F1 Championship, eles começaram a me chamar de Rainha Africana, então pensei, ‘vou fazer uma coroa!’ É algo um pouco mais feminina, e totalmente diferente de qualquer outra pessoa".

As suas experiências na AFX Aurora a fizeram numa piloto regular, com um pódio em 1978, quatro em 1979 (e na frente do seu companheiro, o americano Gordon Smiley), e uma vitória em 1980, em Brands Hatch, ao volante de um Wolf WR4, acompanhado de mais dois pódios. E nesses três anos, sempre conseguiu ser muito superior à outra piloto presente, a britânica Divina Galica.

Isto veio do meu amigo e jornalista Ricardo Grilo, que comentava umas fotos de Wilson na tal Aurora AFX Series. Tive de andar à procura da fonte porque ele já não se lembrava, mas encontrei: é o site Professional Motor World.  E como hoje passam exatamente 35 anos sobre o "GP pirata" que Bernie Ecclestone organizou para tentar separar a FOCA da FISA, em Kyalami, e dividir a Formula 1 em duas.

Eu pensava que após a temporada de 1980, após a minha experiência no GP da Grã-Bretanha, a minha carreira estava terminada, não teria qualquer esperança de conseguir qualquer outra vaga na Fórmula 1. Um dia, porém, Bernie Ecclestone ligou-me e disse: ‘Eu não tenho piloto para a corrida sul-africana e eu vou colocar-te na minha segunda Brabham’. Mas algumas semanas mais tarde, ele ligou-me e disse: ‘Eu assinei com o Ricardo Zunino para ser meu segundo piloto, mas vou fornecer-te um terceiro carro’.

Mas eu ainda estava tão animada, porque os Brabham eram vencedores naquele momento. Parecia um sonho tornado realidade.

Contudo, duas semanas antes da corrida, eu perguntava: ‘Onde está o carro? Quando é que vou à sede e colocar o meu banco?’ De seguida, Ken Tyrrell chama e diz-me, "Des, Bernie não pode fornecer um carro, você vai dirigir um meu. Tá OK para ti?". Eu pensei: ‘Uau!’ Porque apesar dos Tyrrells não serem tão competitivos naquela altura, Ken era uma dessas pessoas para com quem você queria dirigir, pois tinha talento para encontrar bons pilotos. Eu perguntei se havia alguma chance de que eu poderia testar o carro antes de irmos para Kyalami, mas não existia. Pelo menos eu conhecia a pista - embora só tenha andado ali há um par de anos - mas eu não conhecia o carro, que tinha saias deslizantes. Eddie Cheever era o piloto número um e tinha vindo a testar a maior parte do inverno no circuito de Paul Ricard.

Por esta altura, a corrida de Kyalami iria ter 19 carros presentes, todos com saias e todos com motores Ford Cosworth, já que Ligier, Alfa Romeo, Ferrari e Renault decidiram não estar presentes nessa prova, pois alinhavam com a FISA de Jean-Marie Balestre. Wilson adaptava-se ao carro ao longo das duas sessões de treinos da corrida sul-africana, com algumas dificuldades pelo meio.

"Na segunda qualificação, o carro estava OK, mas não ótimo. A afinação era idêntica ao do Eddie. Então, Ken chegou ao pé de mim e disse: "O que você precisa?" Eu respondi que eu precisava mudar o carro, não poderia guiá-lo dessa forma. Então, fizemos algumas mudanças. Dei mais algumas voltas e voltei à boxe.

Então, Ken chamou-me de lado e disse: "Meu carro não é muito rápido. Agora, você está dirigindo meu carro mais rápido do que ele pode ir. Então, por que você não relaxa um pouco, porque isso é tudo que você está a dar, e não consegues fazê-lo ir mais rápido." Voltei à pista e fui dois segundos por volta mais rápido, apenas com aquele conselho! Esse era o tipo de pessoa que Tyrrell era, ele não lhe disse que você estava sobrecarregando o carro, ou a dizer-me que era uma ameaça aos outros - ele conseguia falar de uma maneira diferente para dar a confiança ao piloto, o que era fantástico. Qualifiquei-me em 16º, acredito que Eddie foi o 12º, cerca de seis décimos mais rápido do que eu, e eu estava muito emocionada porque era a minha primeira vez naquele carro.

O dia da corrida, a 7 de fevereiro de 1981, tinha 80 mil espectadores a assistir à prova no circuito sul-africano, perante o boicote das equipas de fábrica e a ameaça de uma competição paralela a concretizar-se. Minutos antes do grande prémio, uma bátega de água caiu na pista, mas quando a luz verde ia ser acesa, a chuva tinha parado e iria secar numa questão de tempo. Wilson estava ansiosa por correr e mostrar do que era capaz, mas o nervosismo levou-lhe a melhor.

"Eu realmente errei o início da corrida. Naqueles dias, havia apenas duas luzes, e em Kyalami, a reta estava numa rampa. Tinha começado a chover na pista, e levantei a minha viseira para ver onde as luzes estavam. Só que deixei o motor ir abaixo. Todo mundo tinha ido embora, mas naqueles dias, os mecânicos podiam sair do "pitwall" para me empurrar, porque estava numa posição perigosa. Lá fui eu, mas estava a cerca de 15 segundos do último carro".

"Eu gosto de correr na chuva, então tive uma corrida fabulosa nas primeiras voltas. Eu apanhei - e depois passei o Cheever, o John Watson, o Marc Surer, o Chico Serra, o Lotus do Nigel Mansell, o Siggy Stohr da Arrows - um grupo inteiro de pilotos. De seguida... a pista seca. Eu disse a Ken que eu tinha muita experiência no molhado, e se secasse, ​​eu viria para a boxe trocar os pneus. Ele disse: 'não, você é uma novata, você entrará quando disser'. Então eu fiquei com os pneus de chuva para aquilo que pensei ser um pouco longo demais. Mal sabia eu que havia uma grande nuvem negra a chegar ao circuito e eles estavam todos à espera para ver o que ia acontecer!

"Eles tinham dividido a estratégia, colocando Eddie com slicks e eu com os molhados. Então eu continuei com os pneus de chuva e continuava a ter um bom ritmo, andando entre o 10º e o 12º posto. Não me mostravam os tempos de volta. Eu realmente gostava de ver os tempos para ajudar a avaliar o meu ritmo, mas Tyrrell disse: 'não, não na sua primeira corrida'. Como a pista foi secando aos poucos, eu não fazia ideia realmente certo o quão rápido eu ia, então comecei a puxar pelos limites. 

Eu tinha passado Mansell mais cedo, mas depois eles começaram a mostrar-me nas boxes que o Mansell estava a apanhar-me ao ritmo de meio a um segundo por volta, o que era estranho porque ele tinha tido alguns problemas. Então puxei cada vez mais, e, eventualmente, [na volta 51 de 77] perdi o controlo. Eu perdi o controle da traseira e girou para dentro, mas quando eu fazia isso, apareceu o Piquet, no seu Brabham, então eu torci o volante e virei para fora [para sair do seu caminho] e bati contra a parede, quebrando a asa traseira. Mantive o motor a trabalhar e voltei para as boxes, mas o estrago estava feito.

"O engraçado é que o Mansell estava na verdade com uma volta de atraso e tinha entrado nas boxes para alterar as saias, então eu estava guiar de forma desnecessária, em "flat-out". Mas as coisas são assim."

A performance de Wilson não desmereceu, e Tyrrell achou que seria uma boa possibilidade para ser seu piloto, mas sem patrocinios, ela não teve grande chance. Até acertar com Michele Alboreto (na foto, no GP da Bélgica de 1982, em Zolder), a partir do GP de San Marino, em Imola, Tyrrell andou com o americano Kevin Cogan em Long Beach e com o argentino Ricardo Zunino nas corridas sul-americanas. Mas Wilson estava lá como terceiro piloto em caso de um deles não pudesse guiar por impossibilidade física.

E enquanto isto acontecia, Balestre e Ecclestone punham-se de acordo sobre a distribuição de dinheiro na Formula 1 e decidiram que a competição iria contar a partir da corrida de Long Beach, excluindo Kyalami do campeonato. "No final de tudo isso, Bernie e Balestre chegam a acordo antes da próxima corrida. Eles disseram assim: 'Olha, não podemos ter um verdadeiro Campeonato do Mundo se a Ferrari não está lá, ou Ligier ou Renault, então vamos começar a partir de Long Beach.' Assim sendo, a corrida foi excluída e até hoje não conta nos livros de registo."

"É muito frustrante, mas quantos pilotos passam por situações semelhantes, mesmo pilotos muito bons? Aconteceu a mesma coisa ao Dave Kennedy: teve o Grande Prêmio da Espanha de 1980 excluído. Pelo menos consegui correr num carro de Formula 1 contra os melhores do mundo. Você não pode pedir mais nada."

A imagem do dia

A partir de hoje, Portugal está na lista de vencedores em Bathurst. Não na prova mais importante do ano, a 1000, que se comemora na primeira semana de outubro, com os potentes V8 australianos, mas nas 12 Horas, a mais importante corrida de resistência na Austrália e num das mais importantes do mundo. A vitória de Álvaro Parente - mais um do piloto de 31 anos - vai enriquecer um vasto currículo com passagens pelos GT's, ao serviço da McLaren, e que o fez andar ao lado de pilotos como Sebastien Löeb (sim, o dos ralis). 

Desta vez, Parente andou ao lado do neozelandês Shane Van Gisbergen (que apropriado, num carro de origem neozelandesa!) e Jonathan Webb para levar de vencida outros GT's como os Bentley, Ferrari, Aston Martin, Lamborghini, Porsche, entre outros. E a vitória de "Varinho" começou bem antes, quando conseguiram a pole-position num tempo da casa dos dois minutos e um segundo, o único a alcançar tal coisa. E por muito pouco, as coisas poderiam ter acabado mal, se Parente não tivesse tido os reflexos suficientes para se desviar de um pedaço de um carro em plena Conrod Straight, a mais de 280 km/hora...

É mais uma grande vitória para ele, e mais um motivo de orgulho no automobilismo nacional. Parabéns!

GT: Parente e Van Gisbergen vencem em Bathurst

Álvaro Parente foi um dos vencedores das Doze Horas de Bathurst, esta manhã. Ao lado do neozelandês Shane Van Gisbergen e do britânico Jonathon Webb, deram à McLaren a sua primeira vitória internacional em vinte anos, a bordo do modelo 650S GT3 da Tekno Autosports. Foi uma vitória convincente, pois não só conseguiram o triunfo, como conseguiram a volta mais rápida, depois de ontem Van Gisbergen obter a pole-position.

Apesar da longa duração da corrida, foi apenas nas últimas voltas que esta foi decidida. Após uma penalização por causa de excesso de velocidade nas boxes, o McLaren 650S ficou na vista do Nissan GT-R "Godzilla" então pilotado por Katsumasa Chiyo, que puxou para os alcançar, mas não conseguiu, com ambos separados por pouco mais de 1,2 segundos. Isto após doze horas de prova! E pelo caminho, Van Gisbergen conseguiu fazer a volta mais rápida do circuito, e foi o único a fazê-lo na casa do 2.01 minutos.

No final, apesar do entusiasmo, Parente apontou as dificuldades que passaram até chegar aqui: “Tivemos que suplantar algumas contrariedades típicas deste tipo de corridas, mas estivemos muito unidos e concentrados e isso foi determinante para que pudéssemos chegar ao fim no primeiro lugar. O meu segundo turno foi complicado, dado que nunca tive a oportunidade de rodar sem ninguém à minha frente e isso condicionava o meu ritmo, mas no final estávamos na posição que desejávamos”, começou por afirmar.

Foi uma corrida difícil e com adversários muito fortes, mas isso só tornou este sucesso ainda mais saboroso. Todos na equipa, a McLaren GT, nós os pilotos e o carro estivemos num nível elevado, o que é de importância capital para que tudo corra bem numa corrida tão dura e exigente como esta. Penso que merecemos este triunfo e é uma excelente forma de principiar a época”, concluiu.

Depois disto, Alvaro Parente vai alinhar no Pirelli World Challenge, que começa no fim de semana de 5 e 6 de março no Circuit of the Americas.

Rumor do Dia: Wehrlein na Manor?

É sabido que a Manor é a única equipa que não assinou com qualquer piloto na temporada de 2016, apesar de ter motores Mercedes. Contudo, este domingo poderá ter um vislumbre do que poderão ser os pilotos, com o rumor de que o alemão Pascal Wehrlein, campeão do DTM em 2015 e protegido da Mercedes, poderá ser um dos pilotos da marca. Quem crava a noticia esta tarde é o site catalão FormulaRapida.net.

Wehrlein, de 21 anos (nasceu a 18 de outubro de 1994), era um dos nomes que se falava ao longo deste defeso, mas tinha a forte concorrência de Will Stevens e Alexander Rossi, bem como o indonésio Rio Haryanto, que poderia ter assegurado um patrocínio de 15 milhões de euros vindos da Petramina, a gasolineira local. Falava-se também que os novos proprietários da Manor Racing poderiam fazer um leilão para os dois lugares, deixando de lado o alemão de origem mauricia.

Para além do campeonato com a DTM, após três temporadas com a Mercedes, ele foi piloto de testes da Force India e Mercedes durante a temporada de 2015. 

Ainda não se sabe quando é que será feito o anuncio oficial, mas o carro será apresentado a 22 de fevereiro, durante os testes coletivos em Barcelona. 

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Formula E: Bird venceu sobre Buemi em Buenos Aires

Sam Bird foi o grande vencedor esta tarde em Buenos Aires, na quarta prova do campeonato da Formula E. O britânico da Virgin conseguiu manter a liderança do principio ao fim, depois de fazer a pole-position algumas horas antes. Sebastien Buemi foi o segundo, recuperando do último posto da grelha, enquanto que Lucas di Grassi ficou com o lugar mais baixo do pódio. António Félix da Costa chegou a andar na segunda posição, mas um problema de "software" o impediu de chegar ao fim.

A partida começou sem grandes novidades, excepto por Jerome D'Ambrosio, que sofreu um toque e caiu para o último posto por causa de danos do seu bólido. Atrás, Sebastien Buemi ganhava posições atrás de posições, passando Bruno Senna no final da terceira volta, para ficar com a 13ª posição. Nelson Piquet Jr., que largava no nono posto, perdia posições atrás de posições, caindo para o 14º posto na quinta volta. 

Tudo isto acontecia enquanto que na frente Bird aguentava os ataques de Nicolas Prost e António Félix da Costa, e os três distanciados de Stephane Sarrazin, que era assediado por Lucas di Grassi. O brasileiro da Abt conseguia passar o francês da Venturi na nona volta para ficar com o quarto posto.

Na volta dez, Buemi estava nos pontos, na nona posição, enquanto que Di Grassi aproximava-se da traseira de Félix da Costa para ver se conseguia chegar aos lugares do pódio, enquanto espreitava por uma oportunidade para passar Nicolas Prost. O português da Aguri conseguiu passar o francês da e.dams na volta 13.

Contudo, foi sol de pouca dura. Na volta 18, quando era para trazer o carro para as boxes, o carro do piloto português ficou parado na pista - a equipa afirma que foi por causa do software do carro - e na confusão das boxes, a organização decidiu colocar o Safety Car na pista, que lá ficou até à volta 24. Quanto voltou, Buemi conseguiu passar Stephane Sarrazin para ficar com a terceira posição, atrás de Lucas di Grassi.

A partir dali, Sam Bird e Lucas di Grassi lutavam pela liderança, com Sebastien Buemi a aproximar-se. O britânico aguentava os ataques do brasileiro e do suiço, os dois primeiros do campeonato, mas Buemi passou Di Grassi na volta 28 para chegar ao segundo posto. O suiço passou a assediar Bird, mas este resistiu - para além da bateria ter chegado perto do fim - e ficou com a vitória, sendo o terceiro vencedor nesta temporada, em quatro corridas. 

No campeonato, Buemi continua na frente, com 89 pontos, seguido por Di Grassi, com 76 pontos. Sam Bird foi o terceiro, com 58 pontos. A Formula E volta à ação a 12 de março, no Autódromo Hermanos Rodriguez.  

Youtube Racing Streaming: As Doze Horas de Bathurst ao vivo

Daqui a pouco começam as 12 Horas de Bathurst, uma das melhores provas de GT no mundo, e se quiserem seguir a corrida ao vivo e a cores, podem ver através deste streaming da NISMO TV.

Ainda por cima, a corrida tem uma atração extra: é que o poleman é um McLaren 650s guiado por, entre outros, Shane Van Ghinsbergen e o português Alvaro Parente.

Formula E: Sam Bird o melhor em Buenos Aires, Félix da Costa terceiro

Sam Bird foi o melhor na qualificação da Formula E que aconteceu esta tarde nas ruas de Buenos Aires, na frente do e-dams de Nicolas Prost e do Aguri de António Félix da Costa. Na primeira qualificação de 2016, esta ficou marcada pelos vários incidentes que colocaram alguns pilotos nos muros de proteção, entre eles Loic Duval, Bruno Senna e Salvador Duran, o novo companheiro de equipa de António Félix da Costa. Sebastien Buemi, o líder do campeonato, não bateu no muro, mas sofreu um pião que o colocou no fim da grelha de partida.

A qualificação teve uma dúvida até momentos antes desta se realizar. O francês Jean-Eric Vergne sofreu uma intoxicação alimentar e andou ausente das sessões livres, mas recuperou a tempo de correr esta qualificação, embora acabasse a fazer um tempo relativamente modesto: 15º na grelha, apenas atrás dos pilotos que não marcaram tempo ou que bateram. 

No primeiro grupo, os Venturi deram conta do recado, com Stephane Sarrazin a conseguir o melhor tempo, com 1.09,236, seguido por San Bird, no seu Virgin. Mike Conway, o novo recruta da equipa, que substitui Jacques Villeneuve, conseguira o terceiro melhor tempo, a pouco menos de quatro centésimos de segundo do seu companheiro de equipa (1.09,602).

No grupo 2, o grande momento aconteceu quando Sebastien Buemi perdeu o controlo do seu carro e fez um pião, perdendo tempo e não conseguindo fazer uma marca que lhe permitiria ir à "superpole". Ali, Nicolas Prost fez o melhor tempo, 

Para o terceiro grupo, constituído por Nelson Piquet Jr, Senna, Duran e Robin Frijns, ficou marcado pelos acidentes do mexicano da Aguri e do brasileiro da Mahindra, que acabaram por fazer com que se mostrassem as bandeiras vermelhas na pista, para poderem retirar os carros dela e fazer as devidas voltas. Foi nessa altura em que Simona de Silvestro foi para as boxes, mas fez mal uma curva e arrancou a asa traseira e a sua roda traseira-esquerda... a baixa velocidade! 

No Grupo 4, com Lucas di Grassi, António Félix da Costa, Oliver Turvey e Jerôme D'Ambrosio, o melhor foi o piloto português da Aguri, que conseguiu um tempo de 1.09,381 segundos, garantindo a sua vaga para a "superpole", ao lado de Nicolas Prost, Mike Conway, Stephane Sarrazin e Sam Bird.

Na fase final da qualificação, Conway foi o primeiro a entrar na pista, mas o tempo não foi bom: 1.12,391. Sam Bird veio logo a seguir, fazendo 1.09,420 e sendo o melhor até então. Depois veio Prost, mas apenas conseguiu 1.09,751 e ficou com o segundo tempo provisório. Quando foi a vez de Félix da Costa sair à pista e fazer o tempo, acabou com 0,01 segundos atrás de Prost, ficando com o terceiro lugar da grelha.

Com isto, Bird conseguiu a sua primeira pole do ano, mas a e-dams não anda longe. Se não há Buemi, há Prost, e o piloto português consegue aqui a sua melhor qualificação da temporada até agora, numa pista que é "fétiche" para ele. A corrida vai acontecer mais logo.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A imagem do dia

Estranho ver Hector Rebaque num carro destes? Não fiquem, que eu explico.

Depois do piloto mexicano ter corrido na Brabham durante época e meia - de meados de 1980 até ao final da temporada de 1981 - Rebaque decidiu ir para o outro lado do Atlântico para competir na CART, ao serviço da Forsythe Racing, onde venceu em Road America, antes de sofrer um forte acidente, sem consequências físicas, mas mais do que suficiente para que ele, aos 26 anos de idade, pensasse na retirada da competição e dedicar-se aos negócios da família.

Contudo, no inicio de 1983, Bernie Ecclestone decidiu chamá-lo para uma emergência. Iria acontecer a Race of Champions, uma prova extra-competição (iria ser a última da história da Formula 1), e quer Nelson Piquet, quer Ricciardo Patrese não estavam disponíveis para correr, o italiano por causa de compromissos com a Lancia no Mundial de Sport-Protótipos, o brasileiro porque testava pneus para o GP de França, que iria acontecer uma semana mais tarde.

Rebaque adaptou-se ao novo modelo BT52, mas estava desfasado em relação à competição. Décimo na grelha, a quase quatro segundos do "poleman" Keke Rosberg - que corria num motor Ford Cosworth! - desistiu na volta 14, vitima de um furo, que causou danos na suspensão do seu carro. Tempos depois, disse que não estava totalmente confortável com o carro, que tinha motor BMW turbo, mas provavelmente já estava cansado do automobilismo. Depois disto, regressou ao México e dedicou-se aos negócios da sua familia.

Hoje, Rebaque comemora o seu 60º aniversário, e claro, é um bom dia para comemorar os seus feitos. Feliz Aniversário!

Formula E: Heidfeld vai correr em Buenos Aires

O alemão Nick Heidfeld vai correr amanhã no e-Prix de Buenos Aires. Parece ser algo redundante, depois de se saber da sua ausência na corrida anterior, em Punta del Este, devido a um acidente que o deixou com um pulso fraturado, mas havia ainda dúvidas sobre a sua utilização nesta corrida e que fizeram com que a Mahindra trouxesse Adam Carrol à capital argentina para estar de prevenção.

"Sinto-me bem e confirmo que vou correr" disse Heidfeld à Motorsport.com após ter dado algumas voltas ao circuito de Puerto Madero. O piloto alemão, que vai correr ao lado de Bruno Senna, é o atual sexto classificado na geral, com 17 pontos, resultantes de um terceiro lugar em Pequim e um nono posto em Putrajaya.

A corrida de Buenos Aires é a quinta da atual temporada e a primeira em 2016, e vai acontecer este sábado.

... e Fangio teve mais um filho!

A ideia do eterno solteirão de Juan Manuel Fangio, que não deixou descendência direta, está a cair. Sabia-se desde meados do ano passado que um grupo de oficiais de justiça tinham ido ao túmulo de Fangio para recolher uma amostra do seu ADN, para saber se dois homens na casa dos 70 anos eram realmente seus filhos. Depois de uma análise aturada, descobriu-se em dezembro que ele tinha sido pai de pelo menos um filho. Esta quinta-feira, porém, confirmou-se que ele também foi o pai de Ruben Vasquez.

Vasquez, de 70 anos, era o filho de Catalina Basili, que nos anos 40 teve um relacionamento com "El Chueco", mas guardou o segredo até 2005, onde no seu leito de morte, confessou ao seu filho da sua possivel paternidade com o famoso piloto. 

Em dezembro, a justiça argentina confirmou que ele tinha sido o pai de Oscar Espinoza, de 77 anos, de Andrea Berruet, namorada de longa data de Fangio nos anos 50, e que terminou em 1960.

Fangio, pentacampeão do mundo em 1951 e de 1954 a 1957, moreu a 17 de julho de 1995, aos 84 anos de idade e está enterrado no jazigo de família, na sua Balcarce natal.