Quarta-feira, 19 de Junho de 2013

Youtube Rally Documentary: Mais Fácil Dizê-lo Do Que Fazê-lo

Acabo de ver através da página oficial do "Doidos por Rally": fizeram um documentário sobre ralis. Mas não é um documentário qualquer, são um grupo de americanos que decidiram fazer um documentário sobre esta modalidade que embora não tenha a visibilidade de outras disciplinas do automobilismo, há cada vez mais gente a fazê-lo nos Estados Unidos.

O filme chama-se "Easier Said Than Done" (Mais Fácil Dizê-lo Do Que Fazê-lo, na tradução mais apróximada) e foi filmado ao longo de 18 meses em oito países e conta com testemunhos de pilotos como Petter Solberg e Ken Block, mas também de amadores que dedicam a sua vida (e gastam as suas economias) para fazer o que gostam. O documentário vai estrear a 28 de setembro, mas eis aqui o trailer de apresentação. 

Deve valer a pena vê-lo.

Algumas palavras sobre Murray Walker

De férias e com uma má Net, inevitavelmente postarei pouco neste espaço por estes dias. Mas ontem soube que o "gigantesco" Murray Walker, que fará 90 anos em outubro, foi-lhe diagnosticado um cancro linfático nas suas fases iniciais. O mítico comentador da BBC por mais de três décadas - reformou-se em 2002 - foi-lhe diagnosticado com a doença quando fazia exames após a sua queda num barco na Alemanha, fraturando a bacia.

Walker disse que o seu cancro foi apanhado nas fases iniciais e espera que terá uma rapida recuperação. Ele confia até nos genes, já que a sua mãe viveu até aos... 101 anos! Era engraçado ver o Tio Murray centenário, a comentar alguma corrida de 2024, provavelmente com algum dos pilotos do atual pelotão...

Walker é o equivalente inglês ao Galvão Bueno. Mas ao contrário do comentador brasileiro, ele abraçava os seus enganos que mandava no ar, em direto. Existem "t-shirts" de Walker com as suas frases miticas, do género: "Se não estou enganado... e estou MESMO enganado!" e a dupla que fazia com James Hunt, entre 1981 e 1993, ecoou nas mentes de toda uma geração.

Hoje em dia, posso dizer que não há um substituto de Murray Walker. Na Sky Sports, temos alguém nessa função como o Jake Humpfrey, mas francamente não ligo muito nele quando temos alguém muito bom a comentar como o Martin Brundle. E com outros comentadores como Johnny Herbert, Damon Hill e Eddie Jordan, na Sky e o David Coulthard, na BBC, a função do profissional já não é tão importante como era no tempo de Murray Walker. Basta um bom piloto com bons conhecimentos de jornalismo.

Contudo, toda a gente reconhece que, apesar dos disparates que ele mandava, valia a pena ouvir Murray Walker naquelas tarde de domingo, da mesma forma que ouviam os acordes de "The Chain", dos Fleetwood Mac, pois sabiam que era o sinal do inicio da transmissão da BBC, e podiam ver os seus pilotos favoritos, fossem eles britânicos ou não. O Joe Saward resumiu a admiração existente a ele a uma frase: "tesouro nacional". E é verdade.  

Segunda-feira, 17 de Junho de 2013

James Hunt, vinte anos depois

Neste sábado que passou comemoraram-se os vinte anos da morte inesperada de James Hunt, vítima de um forte ataque cardíaco à idade de 45 anos. Num ano em que veremos nos cinemas um pouco por todo o mundo a dramatização do seu duelo com Niki Lauda, em 1976, no filme "Rush", de Ron Howard, é bom recordar a carreira de alguém que viveu num tempo em que, enquanto que todos os excessos eram possíveis, poderia ser um piloto competitivo e vencer.

Confesso que não sei como definir um sujeito com carisma, mas creio que dizer o que pensa, sem medir as palavras deve ser um deles. Mas creio que ser corajoso também seja uma delas, e Hunt tinha ambas. Hoje em dia, vermos um comportamento de "playboy" numa competição como a Formula 1 é praticamente uma impossibilidade, excepto, talvez... Kimi Raikkonen. Mas em 1973, quando Hunt chega à categoria máxima do automobilismo, faz o possivel para dar nas vistas, graças a um jovem barão chamado Alexander Hesketh.

Aliás, Harvey Postlethwaithe, o projetista da equipa, contava uma história sobre a razão porque ele foi para lá: "Eram os únicos onde deixavam embebedar-me". Devido ao ambiente de festa que havia numa equipa, onde mesmo assim, tinham sucesso. Hunt foi veloz: deu o seu primeiro pódio no GP da Holanda de 1973, em Zandvoort, venceu lá dois anos depois e tornou-se no menino querido da imprensa, tal como Hesketh. Mas no final de 1975, o dinheiro acabou e o inglês parecia estar num beco sem saída. Até que Emerson Fittipaldi decide ajudar o seu irmão no sonho da equipa brasileira de Formula 1, a Copersucar, e o lugar na McLaren passou a ser seu.

Mas parecia que aquela iria ser uma temporada inglória. O seu maior rival era o austriaco Niki Lauda, que tinha sido campeão do mundo no ano anterior, e tinha tido um arranque quase perfeito, vencendo duas das quatro primeira corridas da temporada de 1976, embora em Kyalami, tinha tido Hunt sempre atrás de si, vendendo cara a sua derrota, mostrando o seu espirito combativo. Depois disso, venceu em Jarama, mas a sua vitoria só seria confirmada em julho, pois inicialmente ele fora desclassificado por causa de uma irregularidade em relação ao tamanho da asa traseira. Uma irregularidade que a equipa depois demonstrou que poderia acontecer com a simples dilatação da peça, com o calor.

Até a 1 de agosto desse ano, toda a gente pensava que apesar da luta de Hunt, Lauda ficaria com o cetro. Mas nesse dia, um acidente no circuito alemão de Nurburgring, no temido Nordschleife, de 23 quilómetros, mudou tudo. Niki Lauda fica envolto em chamas, salvo por mais alguns dos seus companheiros de profissão, como Brett Lunger, Arturo Merzário ou Harald Ertl, e fica com os pulmões queimados, a ponto de ser-lhe concedida a extrema-unção, porque os médicos duvidavam da sua sobrevivência.

Após isso, tudo mudou: Hunt acreditou que era alcançável o primeiro lugar, vencendo em lugares como na Holanda. Mas de um modo surpreendente, quase um milagre, Niki Lauda volta a um carro, em Monza, 42 dias depois do seu acidente e perante o delirio dos "tiffosi". O austriaco consegue arrancar exibições boas, e para melhorar as coisas para os lados da Ferrari, esta venceu o apelo que tinha lançado junto do tribunal da FIA, quando esta contestou o resultado do inicio do GP da Grã-Bretanha, onde uma carambola tinha envolvido Hunt e Lauda. O inglês foi desclassificado e o resultado da FIA tinha sido divulgado no fim de semana do GP  do Canadá. 

Alastair Caldwell, o "team manager" da McLaren, conta no seu site pessoal que Hunt, que até então seguia um regime minimamente espartano, tutelado por Caldwell, pura a simplesmente tinha desistido e fora celebrar como nunca tinha celebrado, no hotel onde estavam hospedados em Toronto. Apareceu de manhãzinha, aparentemente cruzou-se com um Lauda que ia para o circuito, com uma mulher em cada braço... e contnuou a festa no seu quarto. Venceu a corrida, e depois repetiu a dose em Watkins Glen.

A historia do GP do Japão é o final indicado, com ou sem elementos de lenda. Com ou sem uma festa semanal de orgia com as hospedeiras da British Airways, com ou sem o Barry Sheene, os factos foram estes: uma tempestade enorme no circuito, Lauda a desistir na segunda volta porque teve medo - ou inteligência - de correr - ou deixar de correr - nestas condições. Ele pensava que Hunt acabaria numa valeta, mas na realidade, acabou no pódio, a comemorar un dos títulos mais improváveis da história da Formula 1.

Hunt deu o seu melhor na McLaren. Mas a equipa vivia uma fase descendente, e Hunt começou a ficar mais distraido, mais desmotivado. Os excessos começaram a levar a melhor sobre ele e no final de 1978, após uma má temporada da marca - superada em toda a linha por uma Lotus fabulosa com o modelo 79 - Hunt foi para a Wolf. Mas mesmo com um bom carro, o seu pensamento estava noutras bandas e após o GP do Mónaco, decidiu que era tempo de pendurar o capacete.

E ao longo dos anos 80 a unica coisa positiva foram os seus comentários na BBC, ao lado de Murray Walker. De resto, tudo acabava: o alcool, as drogas, o divórcio com a sua segunda mulher, o dinheiro - teve de declarar falência em meados da década, pois ficou sem dinheiro - e apenas no inicio dos anos 90 é que encontrou alguma paz de espirito. E ele ganhava uma segunda vida na televisão, sendo ele mesmo: James Hunt, uma pessoa que sabia muito de Formula 1 e nunca deixou de dizer o que pensava. Falava mal dos retardatários - certo dia, no Mónaco, em 1989 achou a resposta de René Arnoux sobre a sua dificuldade em adaptar-se aos carros atmosféricos com o seu Ligier como "uma perfeita treta" ("bullshit", no original), chamou Andrea de Cesaris de "idiota" e Phillipe Alliot de "um tipo que é desnecessário à Formula 1".

Nessa altura, parecia que a vida de Hunt tinha dado um circulo completo. Em paz de espirito, tinha intenções de casar uma terceira vez quando um ataque cardíaco fulminante o matou, aos 45 anos de idade. Quando vinte anos depois, voltaremos a recordar o piloto britânico, pode-se dizer que ninguém o esqueceu. Ainda bem, as novas gerações têm de saber quem foi essa personagem e porque tem um lugar tão especial.

Sábado, 15 de Junho de 2013

The End: Froilan Gonzalez (1922-2013)

De férias e com uma Net que decide estar no mesmo estado de espírito do que eu, soube agora da morte de Froilan Gonzalez, o "Touro das Pampas". Conhecido também por "El Cabezón", especialmente para os seus amigos, aos 90 anos, e depois de uma vida bem vivida, o piloto argentino, que guiou pela Ferrari, e deu a sua primeira vitória na história da marca na Formula 1, decide que esta era a sua hora de sair de cena. O seu desaparecimento acontece precisamente vinte anos depois de outro campeão mundial, James Hunt, decidiu sair da vida e entrar para a História.

Entre 1950 e 1957 (com mais uma corrida em 1960), o piloto argentino participou em 26 corridas. Nâo esteve na corrida inaugural do Mundial de Formula 1, na Grã-Bretanha, porque a Ferrari decidiu não ir a Silverstone, preferindo estrear-se na corrida seguinte, no Mónaco. Mas ele ficou na história pelos feitos que deu à Ferrari. Se Alberto Ascari poderia ser o grande piloto do Commendatore no seu tempo, Froilan Gonzalez era o piloto certo no lugar certo. Foi o piloto certo no momento em que a Ferrari conseguiu bater os invencíveis Alfa Romeos, de Nino Farina e Juan Manuel Fangio. E o palco dessa mítica vitória foi Silverstone, na Grã-Bretanha. Ferrari disse depois de "parecia que tinha matado a minha própria mãe" - Enzo Ferrari tinha saído da Alfa Romeo a mal, em 1939 - e os ingleses tinham descoberto um novo ídolo do automobilismo. Tanto que, em 1972, quando a Formula 1 chegou à Argentina, Jackie Stewart procurou Gonzalez para lhe pedir um autógrafo.

Mas essa não tinha sido a primeira vez que ele tinha dado nas vistas. Algum tempo antes, em paragens argentinas, tinha lidado a armada Mercedes, que tinha voltado à competição depois de a FIA ter levantado a suspensão da Alemanha das competições automobilisticas. Decorria o mês de fevereiro e os argentinos decidiram elaborar a Copa Perón, onde os velhos "Flechas de Prata", construidos em 1939, eram, onze anos depois, carros temiveis. E tinham a seu lado o seu grande piloto, Juan Manuel Fangio. Gonzalez, com o seu Ferrari, contrariou o favoritismo e conseguiu bater toda a gente, nas duas corridas que constituiram essa prova. Para saber de mais, recomendo o post escrito pelo Paulo Abreu, do Volta Rápida.

Gonzalez não foi só piloto da Ferrari. Guiou pela Maserati em 1952 e 53, antes de fazer outra memorável prova em 1954, no mesmo país e no mesmo local, contra outro adversario: a Mercedes, guiado pelo seu compatriota e amigo Juan Manuel Fangio. Estreado na corrida anterior, o seu dominio parecia que iria levar a Formula 1 a nova era. Mas dominio nem sempre significava invencibilidade, e com um carro "streamliner" que poderia ter dominado nas retas de Reims, nas curvas de Silverstone era prejudicial, no sentido que Gonzalez fora melhor do que Fangio, batendo-o e conseguindo a sua segunda - e última vitória na sua carreira. E todos eles no mesmo local.

Aquela vitória não tinha sido a unica: algumas semanas antes, em Le Mans, ele e o francês Maurice Trintignant tinham sido os vencedores das 24 horas, numa concorrência com marcas como Jaguar ou Mercedes, por exemplo. Até hoje, era o mais antigo vencedor vivo.  

Há quase dois anos, o jornal "i" conseguiu fazer uma entrevista a "El Cabezon", onde o jornalista Rui Miguel Tovar perguntou a ele como era correr naquelas eras quase esquecidas qual foi o seu sentimento após ter conseguido tão importante vitória para a Scuderia. Era os 60 anos da primeira vitória da Ferrari na Formula 1 e Fernando Alonso tinha acabado de vencer o GP da Grã-Bretanha, em Silverstone.

Na parte final, Gonzalez contou o que aconteceu nos momentos após a corrida, e comparando com 2011: "A diferença é que o Alonso voltou de avião, com certeza, e eu de carro, um Alfa 1900, guiado pelo Juan [Fangio]. Além de nós, a minha mulher. Fomos até Milão. Lá, onde vivíamos, agarrei no Fiat Millecento e desci até Modena para saudar o viejo Ferrari. Ele estava animado, diz que chorou de alegria, e enviou um telegrama de ''condolências'' a Orazio Satta-Puglia, director desportivo da Alfa Romeo.

- E o Froilán, como se sentia? 
-"Mais contente que o Diabo."

Ars lunga, vita brevis, Froilan Gonzalez.

Pelos Caminhos de Portugal

Pela primeira vez em quase oito anos, eu tenho férias. Férias no sentido de não pensar em mais nada senão comer, beber e conviver. Apanhar sol na praia e gozar os momentos bons da vida, sem pensar em mais nada. Sempre gostei de fazer férias em junho, porque são os dias mais longos do ano, e há calor suficiente para poder olhar para as coisas com mais tranquilidade. Recarregar as baterias, alterando a paisagem com o qual acordas todos os dias faz bem à alma.

Claro que queria fazer isto, continuando a postar no blog. Só que a rede muitas vezes me prega partidas e como ontem fiquei sem colocar nada porque a rede decidiu “tirar férias”, achei por bem escrever este curto post para tranquilizar os meus amigos e fãs deste blog. Vou tentar, sempre que puder, colocar algum post por aqui, e espero que a rede esteja a funcionar na semana que vêm, quando for as 24 horas de Le Mans, por exemplo.

De resto, não se preocupem. Apenas vou gozar um pouco mais a vida até ao final do mês. Até lá, vou dando noticias. E não tenham inveja de mim: já tive inveja de muitos de vocês. :)

Quinta-feira, 13 de Junho de 2013

Quem quer um capacete de Emerson Fittipaldi ou de Gilles Villeneuve?

Esta vi através da página do Facebook do Almanaque da Formula 1: o site collectorstudio.com têm à venda um capacete que pertenceu a Emerson Fittipaldi entre 1972 e 1974, anos em que ganhou os seus dois campeonatos, quando correu pela Lotus e McLaren. Fabricado pela Bell, mas com autocolantes de outra marca, a AGV, tinha pertencido a Jo Ramirez, provavelmente dado no tempo em que ambos estiveram juntos na Copersucar Fittipaldi.

No site, o preço de venda é de 17 mil e 500 dólares canadianos, mais ou menos o mesmo em termos de dólares americanos quase 13 mil euros europeus. O capacete está num excelente estado, para quem foi usado há cerca de 40 anos, e quem o comprar, terá realmente um pedaço da história do automobilismo. 

Mas no site têm outros, entre eles este fabuloso capacete de Gilles Villeneuve, de 1979, onde ele foi um dos que usou o famoso Simpson Bandit, embora tenha sido apenas em treinos e testes. Neste caso em particular, o preço está dependente de uma oferta do eventual comprador.

The End: Jason Leffler (1975-2013)

A NASCAR viveu ontem um triste momento quando um dos seus competidores, Jason Leffler, morreu vítima de um acidente quando competia numa prova de "dirt track" na cidade de Bridgeport, em New Jersey. Num evento chamado "A Noite dos Anéis", Leffler ia em segundo na corrida quando perdeu o controlo e capotou diversas vezes, batendo no muto de proteção. Apesar de ter sido socorrido de imediato e ser transportado para o centro médico mais próximo, Leffer não resistiu aos graves ferimentos. Tinha 37 anos era casado e pai de um filho de cinco anos.

Nascido a 19 de setembro de 1975 em Long Beach, na Califórnia, Leffler competia na Nationwide Series desde 2001, onde conseguiu duas vitórias em 294 corridas. Antes disso, tinha começado a sua carreira nos Midget Series, onde foi tricampeão na categoria entre 1997 e 1999. Em 1998, para além do campeonato, tinha vencido também a Silver Crown. e em 2003, fora indicado para o National Midget Car Auto Racing Hall of Fame.

Em 2000, tinha tido uma passagem fugaz pela IRL, onde competiu em três corridas, uma delas nas 500 Milhas de Indianápolis, pela Treadway Racing, com algum apoio de Roger Penske. Começou e terminou a corrida na 17ª posição, a três voltas do vencedor, o colombiano Juan Pablo Montoya.

Para além da Nationwide Series, também teve 73 participações na Sprint Cup Series, onde conseguiu uma pole-position. Tambem teve 56 participações na Truck World Series, onde venceu uma corrida e conseguiu dez "pole-positions". A sua última corrida tinha sido no passado domingo, em Pocono, onde tinha abandonado a corrida.

Fibra de Carbono, emissão numero 27

E depois de alguns dias, está pronta para ser ouvida a emissão numero 27 do Fibra de Carbono. Neste episódio com um curioso numero, falamos um bocado sobre as 500 Milhas de Indianápolis e sobre as polémicas acerca dos pneus Pirelli, especialmente o famoso teste "privado" (Ross Brawn dixit) feito pela Mercedes em Barcelona, e uma antevisão do GP do Canadá. Em meia hora, tentamos falar do máximo de assuntos possivel. 

Já agora, o título escolhido de "retângulo com cantos arredondados" foi o que o eu decidi chamar a partir de agora à oval de Indianápolis...

Tudo isto e muito mais podem ouvir agora a partir deste link.   

Quarta-feira, 12 de Junho de 2013

A capa do Autosport desta semana

A capa do Autosport desta semana têm em destaque Sebastian Vettel e a sua corrida de dominação no GP do Canadá. Da maneira como ele andou em Montreal, o título parece ser premonitório: "Vettel a caminho do Tetra".

Em baixo, à direita, existe mais uma referência à Formula 1, neste caso em concreto, aos motores que equiparão os carros a partir de 2014, especialmente uma certa marca francesa que começou com isto tudo: "Renault levanta o véu".

Em cima, fala-se das "Comemorações dos 50 anos do Porsche 911" onde levou muita gente ao Autódromo do Estoril e teve como convidado especial o ex-piloto de ralis Walter Rohrl, e em baixo, para além de referências às Superbikes em Portimão ("Melandri e Laverty dividem espólio"), também há a referência ao Rali Vidreiro, onde "Bernardo Sousa vence ao segundo".

Noticias: Porsche divulga as primeiras imagens do seu LMP1

A duas semanas das 24 Horas de Le Mans de 2013, já se prepara há muito tempo para a edição de 2014. E a Porsche apresentou esta manhã aquele que deve ser o carro mais aguardado do pelotão: o seu LMP1. O carro fez algumas voltas em "shakedown" na  sua pista de Weissach, na Alemanha, com Timo Bernhard ao volante, onde ele se mostrou "orgulhoso por ter sido o primeiro a experimentar o bebé, pois estou no projeto desde o início. O carro já se comporta bem e espero poder testar o máximo possível nos próximos meses com o meu colega Romain Dumas".

Franz Enzinger, responsável máximo pelo projeto, adiantou à imprensa que "quisemos concentrar-nos em completar este veículo muito complexo o mais cedo possível. Assim temos mais algumas semanas para fazer testes adicionais. As regras de 2014 são baseadas na eficiência, o que torna a competição mais interessante para os nossos engenheiros".

A Porsche Motorsport, marca que vai estar envolvida diretamente no projeto, afirmou que ao todo, estão envolvidos cerca de duzentos elementos neste projeto que, para já conta com dois pilotos oficiais: o francês Bertrand Dumas e o alemão Timo Bernhard.  

Terça-feira, 11 de Junho de 2013

Noticias: Vettel fica na Red Bull até 2015

A Red Bull anunciou esta tarde que Sebastian Vettel irá ficar na sua equipa até ao final da temporada de 2015. O piloto de 25 anos, tricampeão do mundo e atual lider do campeonato de pilotos, estendeu o seu contrato por mais uma temporada, já que o atual contrato terminava no final de 2014. “A Red Bull está feliz em confirmar que o campeão do mundo Sebastian Vettel estendeu seu contrato com a equipa até o fim de 2015”, começa por anunciar a marca austríaca no seu comunicado oficial.

O anuncio tinha sido feito horas antes pelo jornal alemão "Sport Bild", mas agora, a equipa de Milton Keynes decidiu anunciar de forma oficial.

Vettel é praticamente um piloto da Red Bull desde o inicio da sua carreira, apesar de ter sido piloto de testes da Sauber BMW quando se estreou na Formula 1 no GP dos Estados Unidos de 2007, em substituição de Robert Kubica. Terminando na oitava posição, logo, marcando um ponto, tinha demonstrado o seu talento e a sua rápida adaptabilidade a um carro de Formula 1, antes de continuar a correr alguns meses depois, na Toro Rosso, onde uma vitória do GP de Itália de 2008 o colocar no topo e ser considerado como um dos valores do futuro, confirmado na Red Bull: três títulos mundiais, 29 vitórias, 39 pole-positions, 18 voltas mais rápidas e 51 pódios.

E pelos vistos, poderá estar a caminho de um quarto título mundial...

Youtube Racing Practice: Os testes de Sebastien Löeb em Pikes Peak

E agora contam-se os dias até que Sebastien Löeb vai correr na subida de Pikes Peak, no Colorado. O piloto e a sua equipa já estão lá para ensaiar e afinar o carro para ver se tudo corre sem problemas até ao dia da corrida, onde tentarão não só vencer, como tentar bater o recorde da subida mais rápida de sempre à montanha mais famosa do automobilismo mundial.

Youtube Racing Crash: Piloto deixa corrida para salvar outro piloto

Isto aconteceu no final do mês passado no autódromo de Shannonville, no estado canadiano do Ontário. O piloto, que é conhecido pelo apelido de "Wango Tango", conduzia o seu Formula 1200 com a sua câmara colocada no seu capacete quando parou o seu carro durante a corrida para ajudar outro concorrente, que tinha ficado preso no seu carro, que tinha capotado após uma colisão com um terceiro carro.

Não estava em chamas e havia mais gente, mas de repente lembrei-me de David Purley e daquilo que fez há quase 40 anos na pista holandesa de Zandvoort para tentar salvar outro piloto, o seu compatriota Roger Williamson. Mas há ali algo que se diz no video: amigos não deixam amigos presos debaixo dos seus carros. E para mim, é o herói do dia. 

Vi isto no site WTF1.

Noticias: Marko elogia Vergne, mas não garante promoção

Este fim de semana, Jean-Eric Vergne conseguiu no Canada a sua melhor classificação de sempre, um sexto lugar, que foi também o melhor lugar alcançado por um Toro Rosso desde o GP do Brasil de 2008, quando Sebastian Vettel conseguiu um quinto lugar. Este resultado, quinze dias depois de ter conseguido um oitavo lugar no Mónaco, fizeram com que Vergne comece a ser visto com outros olhos, e provavelmente como um possível substituto de Mark Webber na equipa Red Bull.

E sobre isso, Helmut Marko, um dos responsáveis da equipa, cobre-o de elogios: “Jean-Éric Vergne impressionou com seu desempenho no Mónaco, e aqui em Montreal ele foi ainda melhor”, declarou o dirigente em entrevista à revista alemã ‘Speed Week’. “O resultado foi ainda melhor do que imaginávamos, e espero que ele possa continuar dessa maneira”, continuou.

Noutra declaração, desta ver à rádio francesa RMC, continuou com os elogios sobre a sua performance no Canadá: “Não foi apenas uma boa corrida, ele foi rápido durante todo o fim de semana. Ele não cometeu erros na qualificação, mesmo com a chuva, e durante a corrida eu o vi lutar com pilotos talentosos”, acrescentou.

Apesar dos elogios à sua consistência, Marko não garante a sua promoção para a Red Bull no final desta temporada: “Este é o segundo ano dele na Formula 1 e para alguém no segundo ano está sendo impressionante. Mas o que estamos procurando é um piloto que possa vencer corridas. Neste momento, ele está no caminho certo”, concluiu.

Vergne, atualmente com 23 anos, conseguiu até agora treze pontos e está na 12ª posição no campeonato com o seu Toro Rosso.  

Segunda-feira, 10 de Junho de 2013

Um apaixonado do automobilismo, como nós

Sempre achei os comissários de pista uma classe à parte, porque são o último resquício de apaixonados pelo automobilismo, seja ele a Formula 1, ou outra competição automóvel qualquer. A diferença entre um fã normal, como eu e você, e eles é que sabem o que fazer em caso de colisão ou qualquer objeto que esteja na pista, porque foram treinados para isso. O Paulo Abreu ou o Marcel Araujo dos Santos, vulgo o "Tintin", sabem explicar melhor do que eu, porque foram - e são - comissários de pista, que adora o que fazem e sacrificam tempo às suas famílias para poderem estar nos circuitos, quase na primeira fila, e a ajudar quem mais precisa.

O automobilismo é perigoso e o "risco zero" é um mito do qual as pessoas devem estar conscientes. Nada está a salvo de uma fatalidade, por muita segurança que exista. É certo que se aperfeiçoa, mas nada se pode fazer quando um comissário deixa cair um rádio comunicador, escorrega na pior altura possível, centímetros de um trator que rebocava um carro de Formula 1, acabando por o matar. É a primeira vez em doze anos que houve um acidente fatal num fim de semana de Grande Prémio, e tal como tinha acontecido em 2000, em Monza, e em 2001, em Melbourne, a vitima foi um comissário de pista, a tal pessoa que está na primeira fila a assistir a tudo.

Um testemunho impressionante do que aconteceu foi o recolhido pelo Luiz Fernando Ramos, vulgo o Ico, que falou com Diego Mastroianni, voluntário nesse GP do Canadá, e falou no seu blog o que aconteceu. 

Eu sabia o portão que abririam no final da prova para entrarmos na pista e ver a cerimonia do pódio e me posicionei ali nas voltas finais. Os fiscais com a grua recuperaram o carro da Sauber depois do acidente e ficaram no canto esperando a corrida acabar. Depois eles começaram a ir devagar em direção aos boxes. Tinha a grua e alguns fiscais, uns atrás, uns do lado e um na frente que ficava equilibrando um pouco o carro porque ele fica pendurado por um ponto só e balança muito.", começa por descrever. 

"Tudo aconteceu muito rápido. Eu era o primeiro na correria das pessoas entrando na pista. Quando eu vi, ele tropeçou, caiu e acho que a pessoa que estava dirigindo a grua não teve tempo de reagir. Depois, rapidamente eles pararam a grua e os outros foram ver o que aconteceu. Eu tive a reação de parar e ver se eu poderia ajudar, mas logo já se criou um entorno com seguranças e eu não tinha o que contribuir. Foi uma fatalidade que aconteceu em questão de segundos. Fiquei por quase uma hora sem sair do lugar ali de tão chocado que eu fiquei com a cena. É muito triste mas, enfim, foi realmente um infortúnio muito grande”.

Ao contrário do que alguns possam pensar, esta gente não é amadora. São pessoas continuamente treinadas para estas situações, que sendo apaixonadas, tentam fazer o seu melhor num fim de semana que é extremamente exigente, e em muitos aspectos, a troco de nada ou quase nada. Só mesmo para ver os carros de perto. São heróis anónimos que merecem todo o nosso respeito e admiração. O que aconteceu ontem pode perfeitamente acontecer uma empresa qualquer, numa situação qualquer, em qualquer parte do mundo, todos os dias. É muito raro e é um tremendo azar. Isto vai demonstrar que por muito bons ou perfeitos que sejamos, o mundo que nós conhecemos é naturalmente imperfeito. Caso contrário, o Universo  tal como o conhecemos, nem sequer existia.

No final, curvo-me em tributo ao comissário, que tal os dois últimos há mais de doze anos, pagaram o preço mais alto de todos por querer estar onde mais queria estar, quando poderiam estar noutros lados, totalmente a salvo e junto dos que mais amam.