Quarta-feira, 16 de Maio de 2012

Pedro Matos Chaves sobre Armindo Araujo, e outras coisas mais

Sobre Armindo Araujo, já falei muito sobre o facto de se correr muita tinta sobre os seus feitos nos ralis, sobre o facto de muita gente querer o impossivel ao piloto de Santo Tirso que é pera poderem destilar o seu ódio a ele, especialmente nos Fóruns de automobilismo, quase parecendo que existe da parte de alguma gente uma campanha para o desacreditar, baseado numa irritação qualquer pessoal. E como sabem, a persistência dessa gente, aliado às expectativas demasiadamente altas que muita gente poderia ter sobre ele, faz com que a tempestade aumente, em vez de ser ao contrário. Na sua segunda temporada completa a bordo dos carros do WRC, e provavelmente a alcançar os seus melhores resultados da sua carreira, ao volante do seu Mini John Cooper Works WRC, as criticas não deverão calar-se tão cedo, apesar de se saber que quase nenhumas delas se devem a ele.

Interessante é ler a Autosport deste mês, onde o Pedro Matos Chaves faz um comparativo entre os pilotos de ralis e os de velocidade. Ele que esteve nos dois mundos - e alcançou títulos em ambos - afirma certas coisas que são verdadeiras. Primeiro, que são poucos os pilotos de ralis que tentaram uma carreira verdadeiramente internacional, num país onde se adora esta modalidade e há excelentes exemplos em termos de organização e tradição. Ou seja: muito umbigo. Somente nos anos 90, com pilotos como Antonio Coutinho e Rui Madeira, é que se começou a olhar para a internacionalização com "olhos de ver". E claro, foi neste inicio do século que houve pilotos como Bruno Magalhães, Bernardo Sousa e Armindo Araujo, com os melhores resultados a caírem para o piloto da Santo Tirso.

Eis alguns extratos:

(...) "Será que os portugueses são melhores pilotos de velocidade do que de ralis? A frieza dos numeros pende os pratos da balança para a velocidade, mas para além de não concordar, a questão não pode apenas ser respondida com resultados...


Ao contrário da velocidade, poucos portugueses tentaram uma carreira internacional em ralis. Recordo-me do Francisco Romãozinho, António Borges, Carlos Torres (este com um programa internacional mais completo) e, mais recentemente, do Rui Madeira, António Coutinho, Adruzilio Lopes, Miguel Campos e do Bruno Magalhães. Não incluo neste lote o João Silva, por só agora estar a começar.

E porque apesar do talento de cada um, só muito pontualmente conseguem brilhar? Porque é que, de forma consistente, não conquistam resultados como o Pedro Lamy, Tiago Monteiro, João Barbosa, Alvaro Parente, Filipe Albuquerque ou Antonio Felix da Costa, só para citar estes exemplos? Por terem um talento interior? Não concordo! Por terem desenvolvido projetos para várias épocas? Também, mas não apenas...


Falo por experiência própria: os ralis exigem que um piloto guie pelo instinto, com improviso, com confiança nas notas. Quando cheguei ais ralis, chegava a treinar 15 dias. Era de loucos! Havia classificativas que percorria como uma rampa, porque decorava cada curva. E havia ralis que se assentavam em três troços, percorridos três vezes! Ou seja, os nossos pilotos nasceram, cresceram e tornaram-se adultos com essas condições. E isso ajudou à sua evolução? Não! (...)

"Nos ralis não há formação e os pilotos deixam-se moldar pelos vícios. Talvez isto ajude a justificar, de alguma forma, os resultados do Armindo. Mas com o respeito e a admiração que me merece, corro o risco de dizer que não justifica tudo.


O que lhe falta ao Armindo? O material traz os tempos, mas os tempos também trazem material. Não raras vezes é perferível fazer dois ou três tempos excepcionais, correndo o risco de ir contra uma árvore, do que fazer todo um rali no anonimato. Se calhar, o que falta ao Armindo é que os ´titulos mundiais tivessem sido na categoria S1600 e não na Produção, um campeonato que não é, nem nunca foi, reconhecido como escola de talentos. O que talvez falte é o regresso da confiança e a estabilidade de uma equipa genuinamente oficial ou simplesmente privada" (...)

Em muitos aspectos, Pedro Chaves pode ter razão. De facto, o limbo da Mini neste ano de 2012 não ajuda muito o piloto de Santo Tirso, ao contrário que se julgava anteriormente. Aliás, toda a gente afirma a pés juntos - uns julgando-se em comunicação directa com Munique, outros julgando-se senhores de dotes adivinhatórios, outros por puro "achismo" - que a BMW irá puxar o tapete no final de 2012, justificando a razão pelos fracos resultados obtidos. Pode ser que aconteça, mas estamos em Maio e não há sinais nesse sentido, apenas meia dúzia de estúpidos rumores.

Mas noutros aspectos, os que apontam defeitos a Armindo só fazem isso: apontar. Mostrar soluções, não mostram. E claro, a razão está à vista: o panorama nacional dos ralis está pobre, ninguém rola em máquinas de S2000, não há campeonatos de promoção - a crise também não ajuda - e o Open é a única categoria que mostra vitalidade. Mas um campeonato para iniciados, como havia nos anos 90, com ajuda da Federação para os colocar num WRC Academy, por exemplo, não existe neste momento. E Portugal, país pequeno e algo mesquinho de mentalidades, continua a viver da "geração espontânea". Culpam o Armindo? Ora, ao fazê-lo estão apenas a culpar a vocês mesmos. Por inação.

Formula 1 em Cartoons - Massa em lume brando (Pilotoons)

A cada corrida que passa, as prestações de Felipe Massa são no mínimo, decepcionantes. E as pessoas, quais treinadores de bancada, acham que a culpa dos maus resultados é do piloto. E a cada corrida que passa, especialmente em Itália, levantam-se cada vez mais vozes a pedir a cabeça do piloto brasileiro, achando que ele não consegue colocar o carro tão competitivo como Fernando Alonso.

E o Bruno Mantovani, como sempre, exemplificou essa situação no seu mais recente cartoon. Com Alonso a fazer o tempero e Sergio Perez à espera da refeição, com alguma fome...

Terça-feira, 15 de Maio de 2012

A versão que Armindo não vai ter e o ruido do costume

Faltam duas semanas para o Rali da Grécia, e se as coisas não andam muito agitadas, apareceu ontem nas nossas paragens a noticia de que o Armindo Araujo não iria usar a versão 1B do seu Mini JCW Cooper WRC, desenvolvido pela Prodrive e que Dani Sordo usou no Rali de Portugal. Segundo a Motorsport Itália, que está a cuidar e a desenvolver os carros usados por Armindo e pelo brasileiro Paulo Nobre, as razões que estão por trás disso tem a ver com a logistica - o carro virá diretamente da Argentina - e também tem a ver com razões de operacionalidade.

Bruno Pianto, diretor da Motorposrt Itália, justificou à Autosport portuguesa: “Tive uma longa conversa com o Kris Meeke, que já testou bastante a nova versão do Mini e ele diz que as diferenças não justificam a sua utilização sem experiência de testes, porque a Prodrive não testou as novas evoluções em terrenos com temperaturas como as da Grécia. Estamos confortáveis com as especificações atuais, e para a Grécia não pretendemos avançar com alterações não testadas.”, referiu.

Claro, esta conversa caiu como boi em rio cheio de piranhas por estas bandas. Se tiverem estofo suficiente para irem ao fórum, podem ler as típicas expressões absurdas que se divulgam por lá. Mas é como digo: o QI dessa gente toda é inferior a de um pato morto.

Já identifiquei há muito as razões para toda esta agitação: as exigências demasiado altas, quase impossíveis de certas pessoas, que ou só para irritarem, ou porque não batem bem da bola, ridicularizam e achincalham as prestações do Armindo. Para eles, não entra na cabeça que está numa equipa "oficial", onde o carro está em evolução. Não lhes entra pela cabeça que o Armindo é um piloto "cerebral" não é um piloto de arriscar destruir o seu carro, como faz o Jari-Matti Latvala, e não vai ser com um carro oficial, com peças infinitas e inúmeros quilómetros de testes que ele se modifica. Em suma, estão a pedir algo que ele não tem e provavelmente nunca terá. Mas vão o deixar em paz? Não. Continuarão a sofrer da pior cegueira, só para manter a sua campanha de difamação pessoal. 

Tipicamente português? Não, de todo. Tipicamente umbiguista. A melhor coisa que se deve fazer, para manter a sanidade, é não ligar nenhuma. É como sair à noite e evitar as zonas de má reputação. Que o Armindo faça o que tem a fazer, e conseguirá os resultados desejados. Ele sabe há muito que os únicos que deve ouvir são os mecânicos, responsáveis da marca e pouco mais. O resto é ruído.

Formula 1 em Cartoons - Um torpedo chamado Schumacher (Pilotoons)

O Bruno Mantovani fez dois pilotoons esta semana, um sobre a vitória de Maldonado em Espanha, e outa sobre o incidente entre o Mercedes de Michael Schumacher e o Williams de Bruno Senna. Para ambos os pilotos, foi o culminar de um mau fim de semana, mas para Schumacher, foi ainda pior, pois o alemão chamou o brasileiro de "idiota", num incidente que foi classificado como "normal".

Por causa disso, o veterano alemão irá ser penalizado em cinco lugares, e será mais um na sua já longa lista.

E no domingo, Schumacher torna-se num outro recordista, mas este não queria ter: tornou-se no primeiro piloto que esteve envolvido em duas gerações da mesma familia. Quase vinte anos antes, em Magny-Cours, Schumacher colocou fora de pista o McLaren do tio de Bruno, Ayrton Senna. Parece que são os sinais da velhice a chegarem ao piloto alemão.

Youtube Commercial: Volkswagen Santana, 1987



Descobri isto por acaso: um anuncio sul-africano do Santana. O anuncio por si já é impressionante, mas o piloto também tem a sua história para contar. Chama-se Sarel van der Merwe, e provavelmente foi um dos mais versáteis pilotos sul-africanos do seu tempo. Nascido em 1946, guiou em tudo que tivesse quatro rodas, menos um Formula 1. Foi campeão nacional em ralis e Turismos, nos anos 70 e 80, venceu as 24 Horas de Daytona em 1984 e foi terceiro classificado nas 24 horas daquele ano, a bordo de um Porsche 956.

Dois anos depois, nas mesmas 24 Hoas de Le Mans, van der Merwe partilhava a condução com o austriaco Jo Gartner quando o entregou ao piloto austriaco, ex-Osella. Volta e meia depois, Gartner sofreu o seu despiste fatal.

Retirou-se em 2002, aos 55 anos, depois de ter vencido mais alguns campeonatos de turismos na sua Africa do Sul Natal. E o rapaz que anda com ele? Provavelmente Alan van der Merwe, que depois se tornaria campeão britânico de Formula 3 em 2000 e que bateu um recorde de velocidade num BAR-Honda quatro anos depois, nas planicies de Bonneville, nos Estados Unidos.

Já agora, a expressão que ele usa, traduz-se por "salshichas num churrasco". "Boerewors" é uma típica salsicha sul-africana, e "braai" é churrasco em afrikander.

Segunda-feira, 14 de Maio de 2012

Formula 1 em Cartoons - GP de Espanha (Pilotoons)

A Formula 1 a marchar na batida de Pastor Maldonado, no alto do seu pódio. É isso que o Bruno Mantovani retrata num dos seus Pilotoons de hoje, sobre o GP de Espanha, no regresso da Williams às vitórias. 

Uma vitória que aconteceu quase oito anos depois da sua última, curiosamente às mãos de outro latimo-americano, o colombiano Juan Pablo Montoya, noutro país latimo-americano, o Brasil.

Equilíbrios na pista e disparates na tela

A Formula 1, quer queiram acreditar, quer não, está naquela que é provavelmente a mais equilibrada temporada de sempre. O facto de andarem com pneus que se esfarelam em menos de dez voltas - bem podia a Pirelli voltar a colocar os pneus de qualificação, que só duravam duas voltas nos tempos em que isso existia - faz com que provavelmente, seis equipas tenham reais possibilidades de subir ao pódio, e até mesmo de vencer. A vitória da Williams de Pastor Maldonado, este domingo, em Barcelona, demonstra que tudo é possivel, e até o recorde de proliferação de vencedores, estabelecido em 1982, quando onze pilotos diferentes subiram ao lugar mais alto do pódio, pode estar em jogo.

Este grande equilibrio faz com que tudo seja possivel. Já começo a pensar que a Sauber pode vencer uma corrida, que os Lotus-Renault podem fazer 1-2 num futuro próximo, ou até que a Caterham poderá chegar a um "top ten". E claro, já há algum nervosismo por aí, especialmente em relação aos pilotos brasileiros. Sobre o Felipe Massa, não é nada de novo, mas o surpreendente foi no caso de Bruno Senna, que teve o seu pior fim de semana no campeonato, com um 18º na grelha e uma corrida que acabou na volta 12, abalroado pelo Mercedes de Michael Schumacher.

Mika Salo, ex-piloto da Ferrari, BAR e Toyota, e atualmente comentado na MTV3 finlandesa, disse que as performances de Valtteri Bottas em Barcelona o impressionaram bastante que estava a ver o piloto local como titular antes do final da época, em substituição de... Bruno Senna.

"Bottas é extremamente respeitado pela equipa. Frank Williams o elogia muito e diz que ele deveria estar nas corridas. Perguntei quando e ele falou que não iria demorar. Li nas entrelinhas que Bottas correrá nesta temporada", começa por comentar Salo, em delcarações captadas pelo site Globo Esporte.

"É uma situação difícil para a Williams, porque ambos os pilotos levam dinheiro. O bom é que Frank Williams não é um homem de negócios, ele é um ex-piloto. Ele só quer saber de fazer sua equipa ter sucesso. Senna é boa pessoa, mas ele não é capaz de pilotar no nível necessário", concluiu.

O Ari Vatanen dizia certo dia que os finlandeses podem ser uma de três coisas: pilotos, agricultores - ou caçadores - ou bêbados. Há quem seja as três coisas, mas no caso do Mika Salo, não acredito, porque não creio que tenha dotes para plantar batatas ou caçar renas. Mas pelo que me contam das frias paragens de Helsinquia, Salo, como comentador, é mesmo conhecido pelos seus disparates. Aliás, pergunto-me: se todos dizem que Massa e Senna estão "condenados" ao despedimento, então o que dizer de Michael Schumacher? Pelos resultados que está a ter, nem deveria ter começado a temporada...

Contudo, nisto tudo há um fundo de verdade: Bottas tem talento - foi o campeão da GP3 em 2011 - e é um protegido de Toto Wolff na Williams. Sendo ele terceiro piloto e com a oportunidade de experimentar um Formula 1 em fins de semana selecionados, pode demonstrar esse talento nato. Mas as pessoas tendem também a esquecer que marcar um oitavo tempo numa sessão de treinos livres, em que nem toda a gente está a cem por cento, com um carro vazio de gasolina e com pneus moles, não significa nada. Absolutamente nada. Aliás, antes de Barcelona, Pastor Maldonado também estava sobre brasas, lembram-se? A memoria das pessoas é mesmo de peixe...

E depois, temos de falar que Bruno teve um mau dia no escritório e poderá reagir. Já pontuou - antes de Barcelona, Bruno tinha o melhor resultado da marca, com um sexto lugar na Malásia - e na semana passada, foi agraciado com o Prémio Bandini, dado para o piloto que melhor evoluiu na temporada anterior. Não é um piloto genial, mas não é nenhum burro. E se ele tem direito a um mau dia no escritório, também poderá ter direito ao seu dia brilhante. Ainda mais num ano tão equilibrado como este...

Historieta na Formula 1: os primeiros tempos de Bernie na Brabham


Confesso que tenho uma admiração fixa pela Motorsport britânica, pelo simples facto de ser muito rica em tudo: nas histórias que conta, nos carros que são mostrados e até na… publicidade. Os anúncios de leilões de automóveis clássicos são muitos, bem como os dos eventos que movimentam esse tipo de automóveis, que na Grã-Bretanha são uma industria tão rica que representa já um pequeno pedaço do seu PIB – Produto Interno Bruto.

Uma das secções que a revista tem é “Um almoço com…” e este mês de maio convidou Keith Greene e Chris Craft, que foram pilotos e diretores de corrida entre os anos 60 e 90, correndo ou treinando todo o tipo de carros, em todos os tipos de competições, desde os Turismos bitânicos até, claro, a Formula 1. Passando por Le Mans, pois ambos correram com Alain de Cadernet, nos anos 70. Ambos tiveram participações esporádicas na Formula 1. Greene com a Gilby, propriedade do seu pai, Syd Greene, e Craft com a Ecurie Evergreen, de De Cadernet, que ao contrário do que se pensa, é cidadão britânico.

Mas o que me chamou a atenção foi uma histórieta que Greene conta da sua participação na Formula 1, em 1972, ao serviço da Brabham. Apanhou um jovem Bernie Ecclestone, que, segundo ele conta, era bem mais duro a negociar do que é hoje. “Bernie telefona-me um dia e me diz ‘acabei de comprar a Brabham’, como se tivesse a dizer que tinha acabado de comprar um maço de cigarros. ‘Gostarias de tomar conta dele? Vem ter comigo amanhã às dez’. Digo-te: lidar com Bernie era bem mais duro então do que agora. Hoje em dia está bem mais domesticado.

Não dormia mais do que quatro horas por noite e comia que nem um passarinho – mas comia em restaurantes de três estrelas da Michelin. Tinha uma mesa tão grande no seu escritório que até podias jogar futebol em cima dela, mas nunca havia nada. Tinha quatro telefones e chegava a falar com quase todos ao mesmo tempo, para ver como andavam as coisas. Tinha uma mente prodigiosa e não esquecia nunca, mas nunca, do que as pessoas fizeram ou disseram dele. Tinhas de lembrar tudo o que falaste com ele, e tudo que já tinhas esquecido, porque ele poderia telefonar-te às quatro da manhã e perguntar-te sobre algum detalhe.

Os nossos pilotos [em 1972] eram Graham Hill, Carlos Reutemann e Wilson Fittipaldi. Tinhamos 15 DFV’s [motores Cosworth V8] para toda a época, cinco cada um, e Graham estava sempre a queixar-se de que não tinha os melhores motores. Quando chegamos à nossa primeira corrida, em Buenos Aires, estávamos a desempacotar as nossas coisas quando oiço um grito do fundo da boxe: ‘Greene, vem cá’. Chego e vejo Bernie com Graham, Carlos e Wilson. ‘Tens uma moeda?’ Eu cheguei-lhe com um peso e depois ele disse: ‘Eu digo quem é que vai ter motores este ano. Hill, cara ou coroa? OK. Cara. Hill, motor 932, anota aí, Greene.’ Mandei a moeda ao ar 15 vezes, anotei 15 numeros e depois Bernie disse: ‘Estes são os vossos motores para esta temporada. E não não quero saber mais desta conversa de m**** sobre bons e maus motores’ Dito isto, foi-se embora.

Naquele ano, Graham fez perto de seis mil milhas de testes, Carlos 4500, Wilson 4300. Tinhamos oito mecânicos ao todo, trabalhando cem horas por semana em média. E estava eu. Fui embora no final daquela época, mas consegues escapar de todo ao Bernie. Anos depois, em Spa, quando tomava conta dos Capri preparados por Grodon Spice para os irmãos Martin numa corrida de suporte do GP da Belgica, sou chamado para o motorhome da Brabham, que nessa altura estavam a ser patrocinados pela Parmalat. ‘Tenho de sair rapidamente depois da corrida. Podes ver se os rapazes colocam os carros no devido lugar depois das verificações pós corrida? Gostas de presunto Parma [Parmalat]?’ Ele chama o pequeno italiano que está sempre com ele e diz: ‘Dá ao Greeney um bocado das tretas da Parma, viu?’”

Entre muitas das outras coisas que Keith Greene fez, também teve uma participação na Team Hexagon, que correu em 1974 com John Watson ao volante. E o carro em que eles andaram era um… Brabham. Primeiro um modelo BT42, depois um mais atualizado BT44, que acabou por dar os primeiros sete pontos da carreira a Watson.                                                                            

E agora, a estatística!

De facto, a vitória deste domindo de Pastor Maldonado em Barcelona, apesar do mau final que teve, com o incêndio nas boxes da Williams, quando se comemorava o final de um jejum que tinha começado em outubro de 2004, no autódromo de Interlagos, trouxe um novo país à muito pequena lista de vencedores de grandes Prémios de Formula 1. Mais concretamente, o 21º país no dia em que se comemoram os 62 anos do primeiro Grande Prémio oficial, na pista de Silverstone e ganha pelo italiano Giuseppe "Nino" Farina, no seu Alfa Romeo.

Com a vitória de Maldonado, a Venezuela torna-se no quarto país sul-americano a vencer na Formula 1, depois de Argentina, Brasil e Colombia. Alargando para o panorama da America Latina, será o quinto pais, acrescentando o México na contagem. Em termos de países, a Williams tem a parte de leão, com quatro: Brasil (Nelson Piquet), Argentina (Carlos Reutemann), Colombia (Juan Pablo Montoya) e agora Venezuela (Pastor Maldonado).

E claro, a vitória de Maldonado nesta temporada de 2012 igualou o feito de 1983, quando cinco pilotos diferentes venceram as cinco primeiras corridas desse ano, em cinco equipas diferentes. Nessa temporada, a sequência foi a seguinte:

- Brasil: Nelson Piquet (Brabham)
- Long Beach: John Watson (McLaren)
- França: Alain Prost (Renault)
- San Marino: Patrick Tambay (Ferrari)
- Monaco: Keke Rosberg (Williams)

A sequência só seria quebrada em Spa-Francochamps, palco do GP da Belgica, quando Alain Prost repetiu a vitória. Mas a hipótese de um sexto vencedor diferente nessa corrida não andou muito longe, pois o Alfa Romeo e Andrea de Cesaris liderou parte dessa corrida, antes de desistir. 

Eis a lista completa dos vinte países que tinham entrado antes na galeria dos vencedores, e da data em que os seus hinos nacionais foram tocados pela primeira vez:

Itália: Giuseppe Farina (Alfa Romeo), GP da Grã-Bretanha de 1950; 
Argentina: Juan Mauel Fangio (Alfa Romeo), GP do Mónaco de 1950; 
Grã-Bretanha: Mike Hawthorn (Ferrari), GP da França de 1953; 
França: Maurice Trintignant (Ferrari), GP de Mónaco de 1955; 
Austrália: Jack Brabham (Cooper), GP do Mónaco de 1959; 
Suécia: Jo Bonnier (BRM), GP da Holanda de 1959; 
Nova Zelândia: Bruce McLaren (Cooper), GP dos EUA de 1959; 
Estados Unidos: Phil Hill (Ferrari), GP da Itália de 1960* 
Alemanha: Wolfgang von Trips (Ferrari), GP da Holanda de 1961;
México: Pedro Rodriguez (Cooper), GP da África do Sul de 1967; 
Bélgica: Jacky Ickx (Ferrari), GP da França de 1968; 
Suíça: Jo Siffert (Lotus), GP da Grã-Bretanha de 1968; 
Áustria: Jochen Rindt (Lotus), GP dos EUA de 1969; 
Brasil: Emerson Fittipaldi (Lotus), GP dos EUA de 1970; 
África do Sul: Jody Scheckter (Tyrrell), GP da Suécia de 1974; 
Canadá: Gilles Villeneuve (Ferrari), GP do Canadá de 1978; 
Finlândia: Keke Rosberg (Williams), GP da Suíça de 1982; 
Colômbia: Juan Pablo Montoya (Williams), GP da Itália de 2001; 
Espanha: Fernando Alonso (Renault), GP da Hungria de 2003; 
Polónia: Robert Kubica (BMW Sauber), GP do Canadá de 2008;

*Não contando com os vencedores das 500 Milhas de Indianápolis entre 1950 e 1960, quando fez parte do calendário do Mundial de Formula 1.

Dados estatísticos do vosso interesse:

- Entre 1950 e 53, somente pilotos italianos e Juan Manuel Fangio venceram corridas.
- O ano de 1959 é a temporada onde se viu mais pilotos a estrearem-se: três (Austrália, Suécia e Nova Zelândia)
- Em contraste, iriam passar 19 anos (1982-2001) até que outro pais colocasse um piloto seu no lugar mais alto do pódio. Isso foi o tempo entre as primeiras vitórias de Keke Rosberg e de Juan Pablo Montoya.
- Dez dos estreantes acabaram depois por ser campeões do mundo: Farina, Fangio, Hawthorn, Brabham, Hill, Rindt, Fittipaldi, Scheckter, Rosberg e Alonso
- Dois dos estreantes acabaram campeões no final desse ano de estreia (excepto 1950): Brabham e Rosberg
- Três desses estreantes iriam vencer as 24 Horas de Le Mans: McLaren, Rodriguez e Ickx.
- Dois desses estreantes acabariam por vencer as 500 Milhas de Indianápolis: Fittipaldi e Montoya
- Tirando a temporada de 1950, quatro pilotos venceram na sua primeira temporada completa: McLaren, Fittipaldi, Scheckter e Villeneuve.
- Wolfgang von Trips, em contraste, teve a sua primeira vitória na sua última temporada. Iria morrer meses depois, em Monza.
- Só um piloto venceu na sua corrida de casa: Gilles Villeneuve.
- Emerson Fittipaldi foi o piloto que demorou menos tempo para conseguir a sua primeira vitória: quatro corridas. 
- Três dos estreantes viraram depois construtores (Brabham, McLaren, Fittipaldi)
- Mónaco é a pista onde houve mais estreantes, três. Watkins Glen, Montreal, Zandvoort e Monza vem a seguir, com dois. 
- No caso do circuito americano, ambos aconteceram com um ano de intervalo, enquanto que em Monza, a diferença foi de 41 anos.
- A vitória de Jo Bonnier em Zandvoort, em 1959, iria ser a unica da sua carreira. Teriam de passar 14 anos até que outro compatriota seu, Ronnie Peterson, voltasse ao lugar mais alto do pódio e ecoasse o hino sueco.
- Robert Kubica tem tembém apenas uma vitória, mas a sua carreira está neste momento em suspenso após o seu acidente num rali iraliano no inicio de 2011.
- A Ferrari é a construtora com mais estreantes: seis, seguida pela Cooper e Lotus, com três cada uma.
- Farina (Alfa Romeo), Bonnier (BRM) e Kubica (BMW Sauber) partilham outro recorde: o de terem sido os primeiros vencedores pelas suas marcas. Jack Brabham, pela Cooper é o quarto elemento, mas apenas a nível oficial, pois Stirling Moss já tinha vencido no ano anterior, com um chassis da Rob Walker Racing.

Domingo, 13 de Maio de 2012

Formula 1 2012 - Ronda 5, Espanha (Corrida)

Depois da polémica de Sábado - nunca vi comissários tão picuinhas e tão penalizadores como neste final de semana, já vão ver depois - em que se desclassificou Lewis Hamilton da pole-position devido ao seu truque com a gasolina, havia alguma expectativa para o que iria acontecer este domingo no GP de Espanha, após a histórica pole-position da Williams - a primeira desde o GP do Brasil de 2010 - e a primeira de sempre de um piloto venezuelano, no fim de semana onde Frank Williams celebrava os seus 70 anos de vida e provavelmente, mais de 40 na carreira de construtor de Formula 1.

Quando amanheceu para o dia de hoje, esperavam-se muitas coisas, mas três delas em particular: como iria Lewis Hamilton recuperar do último lugar da grelha de partida, se Pastor Maldonado iria aguentar as pressões de Fernando Alonso e claro, se o piloto espanhol iria vencer em casa e demonstrar que a Ferrari estava de volta, no caminho das primeiras posições.

Cheguei cedo ao meu portátil para ver as movimentações pré-corrida - já não fazia isso há muito tempo, confesso - e à medida que os minutos aavançavam rumo à largada, veio à cabeça... Teo Fabi. Eu explico: o piloto italiano teve três pole-positions ao longo da sua carreira na Formula 1, na Toleman e na Benetton mas nunca liderou uma unica volta na sua carreira. O meu temor não era tanto que ele nunca liderasse uma corrida na vida - a pole-position não é importante nesse aspecto - era que desperdiçasse esta pole-position num acidente qualquer inutil, como aconteceu na Austrália.

Com a partida, de facto, Alonso foi mais veloz e conseguiu tirar a liderança do venezuelano, mas Maldonado não perdeu muitas posições para a concorrência mais direta, como os Lotus de Kimi Raikkonen e Romain Gorsjean. Aliás, quem perdeu tempo foi Sergio Perez, que sofreu um toque de Michael Schumacher e ficou com um furo. E ainda mais atrás, Lewis Hamilton começava a sua cavalgada.

Nas voltas seguintes, o que se notou foi o facto de alonso não se ter ido embora de Maldonado, isto provavelmente pelo facto de toda a gente ter começado a rodar com pneus moles. Atrás, havia pesadelos para a Red Bull, especialmente no caso de Mark Webber. As pessoas acharam esquisito vê-lo na volta oito a mudar para pneus mais duros, mas na realidade, lutava contra uma má aerodinâmica, que fazia com que o desgaste fosse maior e o downforce não fosse eficaz. Aliás, ambos os Red Bull trocaram de bico, para ver se as coisas funcionavam como deve de ser.

Na 12ª volta, havia confusão no final da reta da meta: na travagem para a primeira curva, o Mercedes de Michael Schumacher calculou mal a travagem e bateu na traseira de Bruno Senna, causando o abandono de ambos. Com isso, ele se tornou o primeiro piloto da Formula 1 a bater em duas gerações de pilotos, já que tinha feito isso com o seu tio, há quase 20 anos, em Magny-Cours. Apesar de Schumacher ter chamado de "idiota" a Bruno, no final, os comissários decidiram que o piloto alemão foi o culpado e na próxima corrida, será penalizado em cinco posições. Mais um incidente na sua longa lista...

As bandeiras amarelas foram mostradas no local, e isso provocou novo incidente: Felipe Massa e Sebastian Vettel foram demasiadamente rápidos naquela secção e os comissários de pista não perdoaram: "drive-through" para ambos os pilotos e as corridas de ambos inevitavelmente estragadas.

Com as passagens pelas boxes, primeiro Alonso e depois Maldonado, houve troca de posições na liderança, mas pensava-se que seria algo temporário. Contudo, o piloto espanhol atrasou-se no trânsito e quem beneficiou foi o piloto da Williams, com Kimi Raikkonen a ser um calmo terceiro classificado. Atrás, Hamilton já estava no meio do pelotão, lutando contra pilotos como Nico Rosberg, Paul di Resta e Felipe Massa, entre outros. Mas também por aí havia algumas coisas interessantes, como o Sauber de Kamui Kobayashi, que foi ele mesmo e começou a passar pilotos como Paul Di Resta, por exemplo. E isso compensou o mau final de Sergio Perez, encostado na berma depois de uma má troca de pneus.

A tensão acumulou-se após a última troca de pneus. Ambos trocaram pneus mais duros, enquanto que Kimi Raikkonen atrasou a sua troca de pneus e colocou um jogo mais mole, para ver se os apanhava. Ambos os pilotos chegaram a menos de um segundo entre eles e Alonso até esboçou uma ultrapassagem, mas no final, Maldonado resistiu. Quanto a Kimi Raikkonen, chegou perto, mas não deu. 

Na bandeira de xadrez, fez-se história: Maldonado vencia pela primeira vez para a Williams, para ele e para a Venezuela, Fernando Alonso mostrava-se, com o segundo lugar, que para além do seu esforço, o seu Ferrari melhorou muito em relação às outras corridas, e uma evolução pode-se esperar num futuro próximo, e Kimi Raikkonen está a demonstrar uma consistência incrivel com o seu Lotus-Renault, que o pode levar, proximamente, à tal vitória que ainda falta. 

E o equilibrio que tanto se fala, confirma-se: cinco vencedores, em cinco máquinas diferentes, de cinco equipas diferentes. Igualou-se 1983, e parece que as coisas podem não ficar por aqui. Provavelmente, esta será uma das temporadas mais imprevisiveis de sempre, e a galeria de vencedores promete não ficar por aqui. Ainda há pilotos que não venceram e têm carro para isso... daqui a duas semanas, nas ruas do Mónaco, veremos isso.

EM ATUALIZAÇÃO: Logo depois da vitória, uma explosão no carro de Bruno Senna, devido eventualmente ao seu sistema KERS, provocou um grande incêndio nas boxes da Williams, porontamente controlado pelos bombeiros e por elementos das outras equipas. Segundo as autoridades locais, foram admitidas dezasseis pessoas ao posto de socorro mais próximo, um deles a inspirar maiores cuidados. No dia em que voltam às vitórias, a Williams não precisava deste incidente para manchar este seu fabuloso fim de semana... 

GP3: Daly vence, Felix da Costa foi sexto

A segunda corrida da GP3 já decorreu e deu ao americano Conor Daly, filho do antigo piloto irlandês Derek Daly, a sua primeira vitória na categoria, numa corrida onde houve mais algumas situações que causaram penalizações aos pilotos envolvidos. Quanto a António Felix da Costa, partindo da 14ª posição da grelha, conseguiu recuperar lugares suficientes para acabar nos pontos, mais concretamente na sexta posição, e o melhor dos pilotos da Carlin.

Na corrida propriamente dita, Daly aproveitou o azar do romeno Robert Visiou, que foi à relva, e depois da penalização do cipriota Tio Elinas, que fez... falsa partida. Isso deu com que Daly rodasse solitário na frente, a caminho da meta. Atrás, Felix da Costa encetou uma corrida de recuperação, passando cinco adversários... no final da terceira volta. Depois de beneficiar da penalização de Elinas, e de ter demorado mais algum tempo para superar outros adversários, terminou na sexta posição e arrecadou quatro pontos nesta segunda corrida de um fim de semana que poderia ter corrido bastante melhor para ele, não fosse a penalização da primeira corrida.

Em relação às mulheres, desta vez terminaram duas pilotos. A britânica Alice Powell foi a melhor, na 11ª posição, enquanto que a italiana Vicky Piria foi 16ª classificada. Carmen Jordá foi 21ª e última classificada.

Após estas duas corridas, o australiano Mitch Evans lidera a competição, com 25 pontos seguido pelo americano Daly, com 23, empatado com o finlandês Aaro Vaino. Felix da Costa é oitavo, com oito pontos. A próxima jornada dupla da GP3 será daqui a 15 dias, no Mónaco.

Formula 1 em Cartoons - GP de Espanha (GP Toons)

A polémica sobre a pole-position de Lewis Hamilton e a sua posterior penalização por ter feito a volta com muito pouco combustivel, fez com que o Hector Garcia desenhasse isto. E claro, sendo ele venezuelano e a comemorar a primeira pole-position de sempre de um piloto do seu país, colocou Pastor Maldonado no papel da pessoa que tem o livro de regras...

A lei é dura e dói, mas é a lei.

Sábado, 12 de Maio de 2012

Zeltweg, dez anos depois. E como estou de saco cheio com o Barrichello

Hoje é 12 de maio, e faz hoje precisamente dez anos sobre a famosa chegada do GP da Austria de 2002, no circuito de Zeltweg, onde Rubens Barrichello cedeu - ou foi obrigado a ceder - a sua vitória a Michael Schumacher, numa manobra vista à frente de tudo e todos, causando repulsa aos adeptos de Formula 1 e da Ferrari, ao mostrar à frente de tudo e de todos, as manobras de equipa. Para muitos foi uma página negra do automobilismo, e uma maneira da Ferrari mostrar, de forma muito arrogante, o dominio que tinham então na categoria máxima do automobilismo. Na semana que passou, surgiu uma entrevista de Rubens Barrichello à edição brasileira da revista Playboy. E claro, na altura em que se completa dez anos sobre o infame GP da Austria, o assunto veio naturalmente à baila.

Nessa entrevista, Barrichello revelou que as últimas oito voltas, ele andou a discutir com Ross Brawn e Jean Todt sobre as ordens que tinha recebido, de ceder a vitória a favor do piloto alemão. “Foram oito voltas de guerra. É muito raro eu perder a calma, mas, naquele rádio, saiu gritaria. Fui até o final, até a última curva, falando que não ia deixar ele passar. Até que eles falaram algo relacionado a alguma coisa mais ampla. Não era contrato. Era uma situação que deixou no ar. Eu não posso contar o que eles falaram, mas foi uma forma de ameaça que me fez refletir se eu teria de repensar a minha vida, porque o grande barato para mim era guiar.

É interessante ler o que ele diz, mas o pior é ler o que ele não disse. Ainda fazer segredo sobre os eventos de Zeltweg, passado este tempo todo, começa a não fazer sentido. E claro, o assunto, que se pensava que estava - relativamente - enterrado, voltou à baila, qual "zombie".

Honestamente, este é um assunto do qual já estou de saco cheio. Na Ferrari e com Michael Schumacher, é um assunto do qual já deram bola para a frente e seguiram a sua vida, mas para Rubens Barrichello é que não. Em vez de estar a gozar a sua nova vida na IndyCar Racing, a ideia que fica desta entrevista é que ainda sonha com o regresso na Formula 1, em busca de um sonho que a cada ano que passa - está a menos de um mês do seu 40º aniversário - mais parece uma irreal caça aos gambuzinos.

Sempre fiquei com a impressão que Barrichello, psicologicamente, é fraco. Nunca lidou muito bem com a responsabilidade que tinha de ser de levar com o Brasil aos ombros - e uma media como a Rede Globo não ajudou - e quando chegou a um sítio onde podia brilhar, levou-se pelo encanto de poder bater Michael Schumacher, deixou-se levar na hipótese de poder ser campeão do mundo, contra o piloto alemão. O problema é que nunca lhe explicaram - ou nunca contou ou nunca quis contar a um Brasil que pedia, de forma quase irreal, que fosse campeão - que na Ferrari, iria ser o piloto numero dois, o "Robin", de um "Batman" Schumacher que era o centro das atenções de uma Ferrari que praticamente vendeu a sua alma para voltar a ser campeã, após 30 anos (1979-2000) de seca. Não interiorizou ou não quis interiorizar. E mesmo que lhe dissessem que tinha material igual ao piloto alemão, este o bateria toda a gente, porque o alemão, há dez anos, era o melhor piloto do mundo.

Quando dez anos depois, ainda ele discute o que se passou em Zeltweg, é mais do que sinal de que ainda não enterrou, ou não quer enterrar, esse fantasma. Fiquei - ou fico - com a impressão que ele nunca se divertiu realmente na Formula 1. Tinha aquela obsessão em vencer o campeonato do mundo, que piorou com o passar dos anos, daí ele ter ficado em equipas como a BAR, Honda, Brawn GP e Williams. Se ele fosse capaz, é uma coisa, mas o tempo revelou que não era genial. Um bom piloto, sim, mas não tinha a matéria dos campeões. Mas ele poderia se ter divertido, e fico com a impressão que não o conseguiu.

Ao longo dos anos, vi que ele tem a paixão de correr, mas se calhar não deve ter gozado verdadeiramente  o automobilismo. De estar numa elite como a Formula 1 e a divertir-se a guiar estes bólidos. É certo que teve uma longa carreira automobilística, e foi uma mais-valia nas equipas onde passou, acarinhado por todos. Mas na realidade, era o equivalente a um Riccardo Patrese ou um Thierry Boutsen. E vocês sabem o que esses dois ex-pilotos fazem agora? O italiano goza a vida na sua Itália natal, o belga tem uma empresa de aviação com sede no Mónaco. Seguiram a sua vida. Será que algum dia, no momento em que pendurar o capacete de vez, seguirá a sua ou vai moer para toda a eternidade os eventos de Zeltweg?

ULTIMA HORA: Hamilton é excluido da pole-position

Depois de quatro (!) horas de deliberação, a FIA decidiu penalizar o McLaren de Lewis Hamilton por ter parado na volta de desaceleração na qualificação do GP de Espanha de Formula 1. Para que tivesse gasolina suficiente para análise - que terá sempre de ser de 1,5 litros - Hamilton acabou por parar na volta de desaceleração. Assim sendo, os comissários de pista decidiram ver se tal gesto iria contra as regras.

Com esta penalização - que o exclui da qualificação e o forçará a partir do último lugar da grelha - o poleman agora será o venezuelano Pastor Maldonado, dando à Williams a sua primeira pole-position de 2012, e a primeira da sua carreira, fazendo com que a marca marque a sua primeira "pole" desde o GP do Brasil de 2010, quando Nico Hulkenberg conseguiu tal feito no circuito de Interlagos.

Já não é a primeira vez que Lewis Hamilton tinha tentado tal gracinha. No GP do Canadá de 2010, Hamilton tinha ficado sem gasolina após ter feito a "pole-position" para esse Grande Prémio. E com isto, é mais um episódio polémico que ele acumula ao longo da sua - ainda - curta carreira na categoria máxima do automobilismo. 

Para uma equipa que comemora este final de semana os 70 anos de Sir Frank Williams, é a cereja no topo do bolo. E Maldonado entra na história por ser o primeiro "poleman" do seu país. Agora falta o resto.

GP3: Felix da Costa penalizado por falsa partida, Mitch Evans vence

Havia altas expectativas sobre a prestação de Antonio Felix da Costa na primeira corrida do primeiro fim de semana da temporada 2012 da GP3, especialmente após a sua pole-position. Contudo, uma largada considerada como "falsa" por parte dos comissários fez penalizar Felix da Costa com uma passagem pelas boxes, fazendo o cair para a cauda do pelotão. No final, fez mais algumas ultrapassagens, mas não foi mais longe do que o 14º posto final.

Ironicamente, na largada, Felix da Costa fora superado pelo alemão Daniel Abt, que - também foi verificado - tinha feito falsa partida e teve também uma passagem pelas boxes. Com isto tudo, quem herdou a liderança foi o australiano Mitch Evans, que aguentou as pressões do filipino Marlon Stockinger, o segundo classificado. O finlandês Aaro Vaino foi o terceiro. O suiço Patrik Niederhauser foi o quarto, seguido do finlandês Mathias Laine e do americano Conor Daly.

Em relação às mulheres, apenas uma chegou ao fim: Carmen Jordá, que foi vigésima classificada no seu carro de Ocean, cinco lugares mais abaixo de Robert Cregan, o melhor piloto da equipa de Tiago Monteiro. Amanhã é a segunda corrida da jornada dupla da GP3.